Tempus fugit

20/10/2009 por Daniel

O Leo é um amigo meu que atualmente mora no Canadá – Quebec, mais precisamente – e que pediu espaço para dividir conosco uma impressão que teve recentemente lá. Interessante notar que mudam os países, muda a cultura, mas certos aspectos da psiquê da gente continuam os mesmos…

Hoje, vindo para o trabalho, havia um grupo de meninas indo para o colégio. “Ahhhh…. Meninas em roupinha de colegial”, já pensarão os marmanjos.

Mas não é sobre elas que quero escrever, é sobre todas as outras mulheres, mais velhas, olhando para elas com certa inveja. O que invejam as últimas nas primeiras? A ignorância? A inexperiência? A insegurança?

Não há nada melhor que uma mulher que sabe o que quer, que tem sua vida e não depende fundamentalmente de ninguém, apesar de poder se dar ao luxo de ter um companheiro, se assim desejar. E isto é bem mais fácil de se ter aos 30 que aos 16.

Sim, é mais fácil ter a pele lisa e sedosa, e não se preocupar com rugas ou cabelos brancos, mesmo se eles ainda tardem por aparecer. Mas à que preço? Todos estes problemas somem se, ao olharmos em seus olhos, virmos a determinação, a força e a experiência adquiridas ao longo dos anos, ao ponto de não conseguirmos manter o olhar por muito tempo, envergonhados de nossas próprias fraquezas e inseguranças.

Não invejem, repito, pois vocês, mulheres-feitas, têm uma beleza que estas mulheres-meninas ainda precisarão batalhar muito, 10 anos pelo menos, para chegarem aos seus pés.

Essa reflexão do Leo me fez lembrar de quando eu estava no Ensino Médio. Todo mundo tinha uma grande vontade de parecer mais velho e mais maduro, em grande parte para atrair parceiros adequados; mas também como maneira de se auto-afirmar. E é claro que isso acabava sendo a fonte de não poucas angústias adolescentes…

Compreendo por que se possa invejar a idade alheia. Oportunidades não aproveitadas, caminhos não tomados, projeção de culpas e anseios, ou simplesmente nostalgia. Tudo isso são forças poderosas. Eu passei por algo assim não faz muito tempo quando fui num colóquio do CBPF (sobre o qual talvez comente aqui mais tarde). Mas ao fim do dia é preciso manter a cabeça no lugar e lembrar que para o bem ou para o mal, é para frente que se anda. Então é melhor fazer do futuro o melhor possível – afinal, vamos passar o resto de nossas vidas lá.

Feriadão de Jogos

13/10/2009 por Daniel

Passei este último feriadão na casa dos meus pais, que estavam viajando e pediram que ficasse lá. Fiz algo que não fazia desde nem lembro quando: joguei RPG até me acabar!

Sábado foi sessão dupla, começando pela campanha de Star Wars: Corsários! que estava mestrando faz alguns meses. O toque diferente ficou pela troca do sistema utilizado. Deixei o Sistema Saga na estante e usei o Wushu, que é Open Source e se diferencia da maioria dos RPGs por aí por ter uma mecânica de resolução de cenas, em vez da típica resolução de tarefas. É uma ideia muito simples, se um pouco difícil de pegar de primeira depois de muitos anos de regras tradicionais. Basta dizer que oferece muito mais controle da cena aos jogadores do que qualquer coisa que eu já tenha visto – e flui que é uma maravilha!

Na mesma noite meu irmão emendou mestrando um rápido jogo de D&D 4, onde fiz um Bárbaro Goliath. O papel do Bárbaro é ser um Striker, ou seja, o cara que bate MUITO. Infelizmente, distribuições estatísticas não ligam muito para planos de jogadores; e se nas últimas sessões com meu irmão um outro personagem meu enfileirava críticos nos inimigos, o pobre Kraggor o Bárbaro apanhou como boi ladrão e só conseguiu acertar dois golpes… o último assim mesmo pelo GM ter graciosamente permitido ignorar o quinto ou sexto rolamento pífio consecutivo. Mas foi divertido, especialmente porque pude bancar o escudo de carne para os demais colegas, que conseguiram dominar os inimigos com mais facilidade.

Muitos acham, aliás, que esta última edição do D&D-Pai-de-Todos é próxima demais dos videogames, que tem regras muito complexas, que não dá margem para interpretação, etc. As primeiras podem até ter um fundo de verdade, mas a última é simplesmente errada. É bastante diferente da liberdade quase anárquica do Wushu, mas faz extremamente bem aquilo a que se propõe. O interessante é que a preparação dos personagens e das aventuras fica muito facilitada pelos programas oficiais da Wizards of the Coast justamente para isso. Havia dois notebooks à mesa…

E por falar em notebook, o terceiro jogo do feriadão foi um marco na minha carreira de Nerd. Era a segunda sessão de uma antiga campanha de Super-Heróis, repaginada depois de quinze anos de hiato para o sistema de Mutants & Masterminds. Até aí, nada excepcional. Mas um dos meus jogadores clássicos acabara de emigrar para o Canadá e tinha me perguntado se haveria como participar da segunda sessão via teleconferência.

Eu confesso a vocês que não levava fé. Puxa, como me enganei!

Notebooks, microfones, subwoofers e conexão wi-fi ligados, foi extremamente simples estabelecer contato com nosso emigrante via Skype e deixá-lo participar de todo o jogo, que durou quatro horas. Tirando uma ou outra limitação (não dava para atropelar o discurso, tinha que fazer silêncio quando ele falava), rolou como se ele estivesse presente. Fantástico, fabuloso, mesmo! É muito bom viver no futuro!

Especialmente se de vez em quando nos permitirmos um gostinho do passado.

Olhando para cima

23/09/2009 por Daniel

Ontem assisti “Up – Altas Aventuras”, o novo longa de animação da Pixar. O filme conta a história de Carl, um solitário senhor de idade que embarca junto com um escoteiro numa improvável viagem a um paraíso perdido na América do Sul para realizar um antigo sonho de sua falecida esposa. Sem querer entrar em muitos detalhes, Carl percebe que embora ele e a esposa nunca tenham alcançado tudo aquilo que gostariam, tiveram uma vida muito plena e que ele ainda poderia fazer muito, se assim quisesse.

Pode soar batido, mas não é. É daqueles filmes que pegam a gente e surpreendem pelo poder e pela sensibilidade da narrativa. Eu reconheço que não sou uma testemunha isenta, porque há ali uma certa mensagem que eu precisava muito ouvir. Assisti em 3D, aliás, e fiquei absolutamente impressionado como o filme ganha com isso. Não é simples pirotecnia. Afinal, que a equipe da Pixar não deixa nada a dever em termos técnicos é chover no molhado. Mas a capacidade deles em desenvolver excelentes roteiros e tratar de temas sensíveis de uma maneira que não é nem um pouco piegas e atinge adultos e crianças ao mesmo tempo, se de maneiras diferentes.

Primavera

22/09/2009 por Daniel

Hoje às 18h18 (hora de Brasília) começa a Primavera. Às vezes as pessoas me perguntam como é possível determinar o começo exato de uma estação. Afinal, se a Primavera é quando as árvores começam a florir, ou quando as cigarras começam a cantar, será que ela não começa em dias diferentes?

Não sei sobre flores e cigarras, a não ser que esses dependem mais de fatores climáticos. Mas a determinação do tempo das estações vem, é claro, da Astronomia!

Como se sabe, a Terra tem dois movimentos principais. O de rotação, de período de 24 horas, que é o responsável por termos dias e noites; e o de translação, no qual a Terra gira em torno do sol ao longo de um ano. A translação define o plano da órbita do nosso planeta, o qual recebe o nome de eclíptica.

Observando do solo, o céu parece uma esfera que cobre nossas cabeças. É possível estender esse plano da eclíptica até essa esfera imaginária e obter uma linha – a linha da eclíptica – que cruza o céu.

Sabe-se também que o eixo de rotação da Terra é inclinado em cerca de 23º26′ em relação ao plano da eclíptica. Podemos definir, então, uma outra linha imaginária chamada de equador celeste, que é simplesmente a projeção da nossa linha do Equador até a esfera celeste. Vejam na figura abaixo, cortesia da Wikipedia:

O equador celeste é a linha branca e a eclíptica é a linha vermelha

O equador celeste é a linha branca e a eclíptica é a linha vermelha

Ora, acontece que a linha da eclíptica também define o caminho pelo qual o sol aparenta se deslocar ao longo do ano entre dias consecutivos à mesma hora. Ou seja, se medirmos a posição do sol no céu ao longo de várias semanas sempre à mesma hora veremos que a posição dele varia, percorrendo a linha da eclíptica! Em metade do ano vemos o sol ficar gradativamente mais baixo no céu, enquanto na outra metade o sol fica gradativamente mais alto. Em dois momentos no ano a linha da eclíptica cruza a linha do equador celeste – exatamente no meio dos períodos de máxima e mínima altura do sol. Quando essa intersecção acontece temos um Equinócio, palavra latina que significa “noite igual”. Isso porque durante os Equinócios a duração do dia e da noite é mais ou menos a mesma para o mundo inteiro (embora o mais correto é dizer que a noite tem a mesma duração para latitudes +L e -L ao norte e ao sul, respectivamente. Mas isso é detalhe).

No Hemisfério Sul o Equinócio de Setembro define a entrada da Primavera. Às 18h18 de hoje o sol vai cruzar o equador celeste e depois vai ficar cada vez mais alto no céu até atingir o ápice em 21 de dezembro, quando então vai voltar a baixar.

Daqui a três meses eu volto a falar das estações e um pouco mais sobre coordenadas celestes. Até lá, então, e vamos curtir a floração dos ipês pela cidade!

Podcast do Aguarrás

07/09/2009 por Daniel

E está no ar o primeiro podcast do site Aguarrás! De periodicidade quinzenal, este primeiro traz a participação do designer, fotógrafo e artista plástico Danilo Salvego. Confiram!

Um trabalho em progresso

06/09/2009 por Daniel

Acabo de passar algumas horas muito agradáveis conversando com uma grande amiga. Cética e ateia, ela se revolta tanto quanto eu a respeito de um monte de absurdos e desatinos; alguns dos quais andamos comentando em nossos respectivos blogs. Na despedida, poderamos sobre que atitudes devem ser tomadas frente a tais desatinos: se preservamos nossa própria sanidade mental e enterramos a cabeça na areia (correndo o risco de ver a situação piorar); se nos engajamos em lutas e discussões no mais das vezes infrutíferas para pelo menos mostrar que existem outras opiniões e outros modos de pensar; e como e quando e em quanto decidir entre um extremo e outro. Não chegamos a uma resposta. Quero dizer, eu procuro me pautar pelo seguinte:

As pessoas são estúpidas.

Vou dizer de novo. As pessoas. São. Estúpidas. E digo isso sem qualquer preconceito e me incluindo nesse rol, pois somos todos os estúpidos de alguém. Isso posto, há certas formas de estupidez completamente toleráveis. Há o estúpido que não parou para pensar com calma. Há o estúpido que já pensou até demais e acha que chegou na verdade última. Há o estúpido que simplesmente não teve oportunidade, ou paciência, ou desejo de deixar de sê-lo. Há os estúpidos que mal desconfiam que sejam estúpidos (desconfio que sejam a maioria). Mas se há algum consolo nisso, é que em sua grande maioria as pessoas, estúpidas ou não, são boas. Têm elas uma medida razoável de boa vontade e não desejam ativamente machucar os outros. Se o fazem no mais das vezes é por achar que é “o melhor”. E é aqui que os problemas começam — se se tem a mais absoluta certeza que um dado curso de ação é para “o melhor”; se se aceita tal coisa acriticamente e sem medir as conseqüências ou pesar bem o que se está fazendo, ou pior, se se tem a mais pétrea certeza de que a razão está lá ou cá e não se admite a possibilidade de estar errado; então claramente se deixou o caminho da estupidez sem malícia. É contra esta estupidez que devemos lutar, e a qual devemos nos policiar.

Me tornar menos estúpido é uma luta constante, um trabalho em progresso. Ajuda muito o fato de eu conviver com outras pessoas na mesma luta. Pouco importa se são céticas, religiosas, acadêmicos, humildes ou o quê: é em dias como hoje que eu vejo como esse convívio é parte fundamental desse processo.

Já passou na Câmara

27/08/2009 por Daniel

Ano que vem tem eleição e cada vez mais eu tenho a – perigosa – ideia que nossos representantes políticos não representam nada. Quando eles se mexem para fazer alguma coisa, é para estragar o que já existe.

Leiam esta nota no Estadão primeiro.

Diz ela que a bancada evangélica, justo eles, ajudaram a passar o acordo. Não há surpresa alguma nisso. Legislam em causa própria, sabendo muito bem que podem apelar aos princípios de isonomia e pedir benesses parecidas.

Quando lembro do projeto de lei do Azeredo sobre controle da internet, quando leio que estão planejando impostos sobre livros (!), quando vejo que querem voltar com a CPMF e agora mais esta marcha rumo ao obscurantismo, pergunto-me a quem apelar. Suponho que existam apenas duas opções agora: intensificar a campanha de oposição, escrevendo aos Senadores que ora decidirão sobre o tema (e esperar ingenuamente que isso faça alguma diferença), ou dar de ombros e fazer as malas.

EDIT

Fazer as malas não é mais uma opção. Se nem na Suécia as coisas vão bem, que esperança teríamos em fugir? Resta-nos apenas lutar.

O Calendário Maia

26/08/2009 por Daniel

Quem já foi ao cinema recentemente ou visita sites como You Tube e o Omelete talvez já tenha ouvido falar do mais novo filme-catástrofe a ser cometido em breve num cinema perto de você: 2012. Do mesmo diretor de hits como Independence Day e o Dia Depois de Amanhã, este filme tratará da destruição do mundo tal como prevista pelos antigos Maias em seu calendário.

Mas será que a antiga sabedoria mesoamericana tem mesmo algo a dizer sobre essa data fatídica? Leia mais logo abaixo da linha de corte!

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Só para lembrar

24/08/2009 por Daniel

… Marte NÃO será visto do tamanho da Lua em 27 de agosto!

Clique para ler a pérola abaixo e lembre-se: isso NÃO É VERDADE. Especialmente a parte da previsão dos astrônomos maias! Conte sempre com o seu Telhado amigo e seus clubes de Astronomia locais para notícias de verdade!

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XKCD Tech Support

24/08/2009 por Daniel

I love Geek humor!