Mudança de ares

18/05/2013

As coisas mudam, às vezes muito mais rápido do que a gente pensa. Nos últimos sete anos eu me vi trabalhando num emprego que mal e mal pagava minhas contas e ainda me deixava muito infeliz. Não que eu não gostasse das pessoas ao meu redor — ao contrário, fiz boas amizades lá e tive a sorte de ter chefes cujos exemplos de gestão vou guardar como referência para o resto da vida. Mas lá eu era infeliz, porque eu não tinha a oportunidade de crescer – nem como profissional, nem como pensador. Eu estava estagnado.

Então, no ano passado eu tomei uma decisão radical – muitos diriam temerária – e pedi demissão.

Não foi na loucura, claro. Preparei o terreno por seis ou sete meses antes. Fiz um curso, ampliei minha rede de contatos e hoje eu vivo como tradutor profissional freelancer. Trabalhar por conta própria é sempre um risco, mas estou já a nove meses vivendo assim e não tive motivo para me arrepender.

Ora, mas o que é que tradução freelance tem a ver com a física, minha área de formação? E com este blog? Bem, nada… e tudo.

Quando eu estava no meu emprego anterior, sentia minha mente embotada pela constante pressão burocrática. A tradução me libertou nesse sentido, deixando que eu tivesse tempo para pensar, ler, imaginar… e agora, escrever. Eu ainda não sei se vale a pena tentar insistir num Mestrado em física (tenho uma boa chance semana que vem), mas o fato é que a vida definitivamente mudou para melhor. E com a mudança de ares, vem também a limpeza deste meu velho e empoeirado Telhado de Vidro. Eu tenho muitas novidades para contar. Aguardem!

O soneto e a emenda

07/04/2012

A gafe cometida pela Scientific American Brasil, referenciada no post anterior, rendeu muito na última semana. Dezenas de cartas de leitores foram enviadas para a revista criticando ou solicitando esclarecimento quanto aos critérios utilizados para a publicação da infeliz nota da bióloga Nina Ximenes defendendo a homeopatia. Muitos blogs brasileiros também comentaram a nota, lamentando a decisão de publicá-la.

Não sei qual teria sido a resposta do professor Ulisses Capozzoli, editor da SciAm Brasil, se as críticas tivessem ficado restritas ao âmbito nacional. O fato é que o leitor Felipe Nogueira, que também comentou o meu artigo anterior, tomou a iniciativa de entrar em contato com o blog americano Science Based Medicine, comentando a publicação da nota de Nina Ximenes e vertendo o texto completo para o inglês.

A repercussão foi imediata.

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SciAm Brasil: nem sequer errado

04/04/2012

Sorteie aleatoriamente um amigo ou parente e as chances são que essa pessoa confia na eficácia de tratamentos homeopáticos ou, no mínimo, “conhece alguém que se deu muito bem” com um tal tratamento. A homeopatia, como se sabe, foi criada em 1796 pelo alemão Samuel Hahnemann. A linha-mestra do novo tratamento era o lema similia similibus curantur, latim para “semelhante cura semelhante”. É o mesmo princípio das simpatias populares, que já existiam no século XVIII, mas com uma roupagem mais sofisticada. A ideia de Hahnemann era que doenças eram desequilíbrios da energia vital do indivíduo. Para curar o paciente, o equilíbrio do corpo tinha que ser reestabelecido através da aplicação de soluções muito diluídas de substâncias que, pensava-se, causavam sintomas parecidos com a doença.

Levando em conta que a teoria Simpática e o modelo do Vitalismo são completamente ultrapassados (e, vale dizer, errados) é até surpreendente que a homeopatia tenha durado tanto tempo e siga tão popular. Eu suspeito que hoje em dia isso tenha a ver com o fato de que os homeopatas quase sempre recebam seus clientes com sorrisos, música de fundo suave e ambientes confortáveis. A maioria deles também dedica vários minutos à anamnese, além de demonstrar genuína disposição de ouvir o que o cliente tem a dizer. Compare isso com a maneira impessoal e apressada que encontramos em muitos consultórios de médicos que atendem em plano de saúde ou do SUS. Mas, divirjo: o ponto é que remédios homeopáticos são quimicamente indistinguíveis de água, tamanho é o grau de diluição da fórmula. Os benefícios do tratamento homeopático não parecem, por tudo quanto se sabe, diferentes do efeito placebo comum, conforme publicado em 2005 pela prestigiosa revista médica britânica Lancet.

Qual não foi minha surpresa, portanto, ao abrir a edição nº 119 (abril/2012) da Scientific American Brasil e encontrar à página 17 uma nota intitulada “A Eficiência Questionada da Homeopatia” que, a despeito do título, sugere que a aplicação desta técnica tem atingido resultados positivos na… agricultura.

Agricultura?

A autora da nota, uma certa Nina Ximenes, bióloga e pós-graduanda em educação ambiental, defende o uso de homeopatia no controle de pragas em substituição aos pesticidas usuais. A meta é nobre, sem dúvida, mas será que funciona? Bem, vejamos como a Sra Ximenes responde às críticas comuns à homeopatia (atenção para o trecho grifado):

Essa técnica é alvo de críticas quato (sic) aos resultados e eficácia. Uma delas diz respeito ao “efeito placebo” de seus remédios, que não contêm nenhum traço da matéria-prima utilizada em sua confecção. Para responder a essa abordagem é necessário um esclarecimento: a homeopatia não se relaciona com a química, mas com a física quântica, pois trabalha com energia, não com elementos químicos que podem ser qualificados e quantificados.

Física quântica. Trabalha com energia. Se eu ganhasse um centavo cada vez que ouvisse essa…

Ainda que se dê à homeopatia o benefício da dúvida quanto à eficácia de seus tratamentos — o que já seria muito — resta à Sra. Ximenes, ou a quem quer que tenha originado a ideia exposta acima, provar tal afirmação. Qual é, exatamente, a ligação da homeopatia com a física quântica? Se “tem a ver com energia”, eu me pergunto se é possível calcular os autovalores da energia para o estado quântico do paciente. Aliás, como será que se calcula o estado quântico do paciente, dado que ele é um sistema macroscópico complexo? Qual é a função de onda das moléculas do princípio ativo dos remédios homeopáticos?

Cada uma das palavras e expressões que eu usei acima tem um significado dentro da física de verdade. Cada uma delas é usada para aplicações reais que produzem resultados observáveis e, mais importante, falseáveis. Uma máquina de ressonância magnética nuclear não produz imagens detalhadas do corpo humano simplesmente por que “tem a ver com física quântica e lida com energia”; ela o faz porque os spins nucleares das moléculas de água do paciente reagem à frequência de ressonância induzida pelo aparelho. Há equações que dizem como ele funciona e por que ele funciona e o resultado está aí para se ver. Se as equações estivessem erradas, se a teoria por trás não fosse sólida, se não correspondesse a fenômenos observáveis na Natureza, máquinas de ressonância magnética não funcionariam.

Dizer que a homeopatia “não se relaciona com a química”, aliás, é um insulto à inteligência do leitor, quer ele acredite na eficácia da homeopatia ou não. Primeiro, porque a química tem um papel preponderante na farmacocinética de qualquer remédio. O que, senão a química, vai nos dizer como uma substância será absorvida pelos tecidos do corpo? Como o corpo reagirá à presença desta substância? Em segundo lugar, a química obedece a princípios físicos que são, em última instância, quânticos — como aliás, tudo no Universo. Só que não saímos por aí tentando descrever tudo em termos de física quântica porque isso é um reducionismo idiota: equivalente a tentar descrever o comportamento quântico de um motor de automóvel. Até onde se pode enxergar, a química (e demais ciências complementares) é a ferramenta mais adequada para verificar a eficácia da homeopatia.

Já seria controverso o bastante que a Scientific American Brasil publicasse uma nota sobre homeopatia, dado o status pouco científico de sua fundamentação. Mas uma nota que afirma platitudes Nova-Eristas como a destacada acima? Eu esperava mais — muito mais — dos editores da revista.

Como diria Wolfgang Pauli, a nota da SciAm-Br não está nem sequer errada. E se este padrão de qualidade alarmante continuar, não hesitarei em cancelar minha assinatura.

Os maias, parte II

17/02/2012

Blogagem coletiva Fim do Mundo

É verdade que o assunto ainda está morno, em grande parte, suspeito, porque estamos em ritmo de Carnaval. Mais para o final do ano, talvez depois das eleições municipais, provavelmente vamos ouvir um monte sobre o apocalipse previsto pelos maias.

Aqui n’O Telhado já tratamos disso em 2009. Só para relembrar: o sistema de contagem de tempo dos maias é cíclico e o calendário deles dá uma grande virada mais ou menos a cada 5125 anos. Estamos bem perto de uma dessas viradas, o que vem deixando os esotéricos em estado de atenção máxima.

Mas o que significa em termos práticos? O mundo corre mesmo algum risco?

É claro que não.

Viradas de calendário, como a que aconteceu de 1999 para 2000 podem ser infrequentes, mas nem por isso possuem alguma relevância para além de mera curiosidade cultural. No caso dos maias é ainda mais estranho que essa celeuma toda esteja sendo criada. Os mitos de criação mesoamericanos colocam a criação deste mundo em 3114 AEC, que foi a última vez que o calendário maia zerou, então os místicos modernos concluíram que alguma coisa vai acontecer em dezembro de 2012 – alguma coisa de relevância espiritual global.

O que essa alguma coisa é depende do místico em questão, claro. Fala-se um bocado sobre catástrofes como terremotos e vulcões (como se não ocorressem o tempo todo), sobre um “alinhamento com um eixo galáctico”, que eu não sei bem o que é (e nem os próprios proponentes da ideia parecem saber), ou sobre um renascimento espiritual ao redor do mundo. Bem, só em 2011 já sobrevivemos a duas previsões sobre a volta de Cristo e o fim do mundo, umas duas ou três “aberturas de portais galácticos” (por conta de datas bonitinhas como 11/11/11), entre outras esquisitices. Acho que estamos bem preparados em matéria de sobreviver ao fim dos tempos, portanto vou deixar aqui a minha previsão: em 2013 o mundo vai continuar girando, as pessoas continuarão sendo boas ou más, tragédias e alegrias seguirão acontecendo e a vida seguirá em frente como tem feito desde a última virada do calendário.

A teoria do universo justo

22/06/2011

Várias vezes nos perguntamos algo como “o que eu fiz para merecer isso?” em momentos de crise. É natural e humano achar que, se formos cordiais e bondosos em nossa conduta, seremos recompensados da mesma forma. Isso pode até ser verdade na maior parte dos casos no trato com outras pessoas, mas a o triste fato é que às vezes coisas ruins acontecem com gente boa. Basta abrir o jornal para ler notícias de crimes banais, catástrofes da natureza e outros eventos totalmente aleatórios que destroem vidas preciosas.

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Inverno 2011

21/06/2011

Em 2009 escrevi isto aqui, comentando sobre as propriedades do Solstício e sobre como o Inverno é minha estação favorita. Não obstante o fato que a estação começa um pouco quente para o meu gosto…

Mas espere um minuto. Começar? Por que, exatamente, dizemos que o Inverno começa hoje às 14:16, hora de Brasília?

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Zenão e o tubo de pasta de dente

20/06/2011

Você se levanta de manhã cedo, vai ao banheiro e lava o rosto. Ainda meio adormecido, pega aquele tubo de pasta de dente já no final e o espreme com um pouco mais de força do que usou no dia anterior. Dá certo; ainda tem um pouquinho de pasta de dente para você escovar e começar o dia.

Talvez você acorde muito sonolento, talvez tenha preguiça de abrir um tubo de pasta de dente novo, ou talvez tenha simplesmente esquecido de incluir esse item nas últimas compras. O fato é que na manhã seguinte o tubo quase vazio continua lá e você consegue espremer um pouco mais dele apertando um pouquinho mais forte. É de se perguntar: quanto exatamente ainda se pode tirar de um tubo de pasta de dente quase vazio?

Essa dúvida corriqueira não é muito diferente das situações propostas por Zenão de Eleia para confundir seus colegas filósofos. Um pré-Socrático tardio, Zenão buscou apoiar as noções de seu mestre Parmênides de que movimento, tempo e, de fato, a própria ideia de pluralidade eram ilusões dos sentidos. Ele raciocinava da seguinte forma: “como é possível terminar uma tarefa que tenha infinitos passos em uma quantidade finita de tempo?” — e buscava ilustrar esse raciocínio através do que ele chamou de paradoxos, palavra grega que significa algo como “contrário à razão”. Por exemplo, dizia Zenão, suponha que o herói Aquiles aposte uma corrida com uma tartaruga. Para dar ao bicho uma certa vantagem, Aquiles deixa a tartaruga partir de um ponto na metade da distância a ser percorrida. Ora, mas quando Aquiles tiver percorrido metade daquela distância inicial, a tartaruga terá andado um pouco mais. E quando Aquiles tiver percorrido metade daquela distância que agora o separa da tartaruga, o quelônio terá andado um bocadinho a mais — e assim por diante. A conclusão do filósofo é que, como há um número infinito de pontos que separam Aquiles da tartaruga, o herói jamais poderia alcançar o animal num tempo finito. Logo, diz o filósofo, o movimento é uma ilusão.

Um paradoxo ainda mais sutil é o da flecha. Suponha que um arqueiro dispare uma flecha visando um alvo cem passos adiante. Agora imagine o voo da flecha num dado instante qualquer antes dela atingir o alvo. Se pensarmos em cada instante como uma “fotografia” da flecha, podemos imaginá-la parada no ar. Zenão sustenta que naquele instante em particular, a flecha ocupa apenas o espaço que ela ocupa e não está se movendo para parte alguma. Mais ainda, a flecha não pode sair de onde está para outro lugar, porque não há tempo passando para que a flecha se mova. Ou seja, conclui Zenão, se em qualquer dado instante que imaginarmos a flecha está estacionária, então não apenas o movimento é uma ilusão, como o próprio tempo é uma ilusão.

Os paradoxos de Zenão divertiram e confundiram pensadores nos séculos e milênios seguintes. Hoje em dia, armado com Cálculo Diferencial, um cientista moderno poderia considerar os paradoxos de Zenão trivialmente simples de resolver, mas há quem diga que não é assim tão fácil: não é uma simples questão de soma, ou, para usar o jargão matemático, de convergência de soma de séries infinitas. Zenão jamais menciona somas em seus argumentos, mas sim um número aparentemente infinito de passos não-instantâneos para completar uma tarefa.

Entretanto, a flecha atinge o alvo, Aquiles ultrapassa a tartaruga e o seu tubo de pasta de dentes finalmente esvazia. Será que isso implica que tempo e espaço são entidades discretas, em vez de contínuas? Ou será que os matemáticos têm razão e Zenão só precisava aprender a somar séries infinitas?

Filosofices – lá fora

17/06/2011

A vida está lá fora.

 

Trancado no meu cubículo, olhando sempre para a tela do computador, às vezes eu esqueço, mas a vida está lá fora. De noite geralmente estou estressado por causa do trânsito, com pouco tempo por causa de tarefas domésticas, atrasado com alguma conta no banco… mas a vida está lá fora.

 

Tenho que parar. Respirar. Ir ao teatro. Ir à praia, à floresta, à montanha. Experimentar o silêncio. Caminhar na rua. Tirar aquele livro da fila. Escutar aquela música. Estudar alguma coisa por prazer, não por obrigação.

 

A vida está lá fora. E se eu esquecer de olhar lá fora de vez em quando, a vida passa.

Fontes alternativas

01/06/2011

As pessoas falam muito sobre energia renovável e limpa e sobre amplos investimentos em geração de energia eólica, solar ou de marés. Mas qual o impacto que a ampliação dessas matrizes causaria ao meio-ambiente? Podemos realmente dizer que canalizar os ventos da costa do Nordeste não causaria problema nenhum no sertão, por exemplo?

Até recentemente pensava-se que hidrelétricas eram limpas e tinham impacto ambiental irrisório. Eu temo que essas fontes ditas “alternativas” sejam um canto da sereia semelhante. Importantes, sim; mais limpas que as atuais, sem dúvida. Mas que não se caia no engano de achar que o impacto seria nulo.

A Humanidade é uma força geológica. Nada do que façamos tem impacto nulo no resto do planeta. Reflitam sobre isso.

Prioridades para refletir

02/05/2011

Ainda estava digerindo o recente anúncio do fim do Projeto SETI quando a notícia do assassinato de Osama Bin Laden caiu como uma bomba nos noticiários de hoje. Isso e as recentes ações na Líbia e em inúmeras outras frentes de combate me puseram a pensar em como somos imediatistas em nossas prioridades.

Claro, não sou ingênuo a ponto de dizer que a caçada ao terrorista mais procurado do mundo não deva ser prioridade do governo dos EUA. Ou que cortes no orçamento não devam ser feitos para evitar uma nova crise financeira global. Mas considerem o seguinte: por uma fração minúscula do que se gasta com armamentos nas guerras do Ocidente, poderíamos manter o SETI funcionando por um ano. Confiram uma tabela comparativa feita pelo blog Microcosmologist e republicada pelo Bad Astronomer:
http://www.microcosmologist.com/blog/?p=769

Imagino que se possa argumentar que construir antenas para escutar ETs é algo muito menos importante do que construir hospitais, pagar a manutenção de estradas e, digamos, lançar bombas na cabeça de inimigos do mundo Ocidental. Junte-se a isso a falta de vontade de retomar a exploração do Universo (em missões tripuladas ou não) e o que temos é um grande conjunto de vozes que clamam pela resolução dos “problemas de verdade aqui na Terra” do que “ficar olhando para o céu”.

Entretanto eu creio que isso é uma miopia atroz. Sempre vai haver prioridades imediatas aqui na Terra, o que não quer dizer que devamos negligenciar a exploração espacial (ou, para citar um exemplo brasileiro, cortar o orçamento do Ensino Superior público). Este planeta não vai nos abrigar para sempre, nem os seus recursos durarão para sempre para que continuemos consumindo no ritmo desenfreado de hoje. E mesmo que consigamos nos acertar quanto ao desenvolvimento sustentável nas próximas décadas, o que francamente duvido, a estatística mostra que uma catástrofe cósmica ainda pode acontecer: um asteróide, um ciclo de tempestades magnéticas solares mais fortes, ou qualquer outra coisa que possa ameaçar seriamente toda a nossa espécie.

A Terra é bonita e confortável. Explorar o espaço é perigoso, caro, extremamente difícil e demorado. Mas se em algum momento de nossa história não tomarmos a decisão de arriscar um lance difícil e colonizar outros mundos, este planeta será o túmulo da Humanidade, assim como foi seu berço.

“The universe is probably littered with the one-planet graves of cultures which made the sensible economic decision that there’s no good reason to go into space–each discovered, studied, and remembered by the ones who made the irrational decision.”
-Randall Munroe, autor da tirinha acima.


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