Archive for the ‘Física’ Category

Aconteceu

21/06/2013

Autores

E aconteceu.

Grato a todo mundo que esteve lá, ainda que em espírito!

Pura Picaretagem já está disponível nas melhores livrarias e também na Amazon.com.br em forma de ebook!

Anúncios

É hoje!

20/06/2013

Em grande companhia.O bom terremoto político que ora sacode o país fez com que uma torrente de emoções me tomassem de assalto nesta semana. Mas, se me permitem um momento de auto-congratulação, basta olharem para a imagem que abre o post. Estamos em ótima companhia, Carlos Orsi e eu.

O evento de lançamento de Pura Picaretagem acontece hoje, às 19h na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Nos vemos por lá! Agradeço à amiga Flavia Budant pela imagem!

Incerteza e inexatidão

13/06/2013

Uma das características marcantes da mecânica quântica é expressa pelo Princípio da Incerteza de Heisenberg: é impossível medir com precisão arbitrária certos partes de observáveis, como posição e momento linear, por exemplo. Isso significa que se quisermos determinar com precisão quase absoluta a posição de um elétron, digamos, não seremos capazes de dizer com certeza com que velocidade ele está se deslocando — o elétron vai ter um momento linear bastante espalhado. Da mesma forma, se conseguirmos medir bem o momento linear do elétron, será sua posição que se tornará espalhada e incerta.

O Princípio da Incerteza e o caráter não-determinístico da mecânica quântica são diretamente responsáveis pelas propriedades contraintuitivas dos objetos subatômicos. Os fenômenos quânticos nos parecem estranhos porque não estamos acostumados a pensar nesses termos. Não é de se surpreender, portanto, que tanta gente ache que a mecânica quântica é uma área de conhecimento insondável e misteriosa.

Infelizmente, gente mal-informada (ou maliciosa, mesmo), se aproveita dessa aura de mistério da mecânica quântica para promover empulhações de toda ordem. Só esta semana recebi dois convites para workshops sobre mecânica quântica, espiritualidade e poder do pensamento positivo. Não coloco o link direto para não gerar hits nas páginas dos eventos, mas se vocês tiverem curiosidade, não é difícil achar fazendo uma pesquisa rápida no Google. O que me deixa mais aborrecido, mais até do que o fato de que um dos eventos é promovido por uma Mestra em Física que alega trabalhar no CBPF, é que cada um desses eventos são pagos. E não custam barato! Para comparecer a uma dessas “oficinas”, alguém teria que desembolsar mais de R$ 300,00 a título de “investimento” — tudo isso para ouvir uma cantilena rasa e açucarada sobre física quântica e o poder da mente, ou alguma besteira igualmente incorreta e inexata. O problema é que esses eventos sempre lotam. As pessoas são naturalmente curiosas a respeito do mundo e, na ausência de livros e eventos que falem sobre as verdadeiras propriedades da física quântica, é fácil entender por que mistificadores aparecem — para cobrir essa lacuna.

A intenção por trás de Pura Picaretagem é informar o público; fornecer ao leitor leigo, porém curioso, as ferramentas e informações adequadas para que saiba diferenciar a ciência de verdade das mais variadas empulhações. E também tenta demonstrar um pouco da história e das características de uma ciência que pode sim ser estranha, mas não é, de maneira nenhuma, mística e insondável.

Pura Picaretagem já está a venda nas livrarias e seu evento de lançamento será semana que vem, dia 20 de junho às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Espero por vocês lá!

Loterias quânticas

06/06/2013

Tenho que confessar uma coisa a vocês: eu adoro jogar na loteria. Um professor do Ensino Médio uma vez me disse que “quem sabe matemática não joga na megassena”. Ele não deixa de ter razão. Afinal, uma aposta simples de seis dezenas tem mais ou menos 1 chance em 50 milhões de ganhar. Isso significa que você poderia jogar uma vez por semana todas as semanas e ainda assim levaria algo como um milhão de anos para acertar a sena. E mesmo assim, a chance para quem joga é maior do que zero — então toda vez que o prêmio acumula um bocado, lá vou eu apostar um bilhetinho.

O que a gente não costuma se dar conta é que o nosso cotidiano, todo ele, é definido por um quantidade incontável de pequenas loterias quânticas. O elétron vai para aquele caminho, ou por outro? O átomo vai decair agora, ou daqui a pouco? Aquela célula importante vai se copiar direitinho, ou vai ocorrer uma mutação imprevisível?

A física quântica tem fama ser difícil de compreender. De fato, há muita coisa contraintuitiva nos fundamentos dessa área da ciência. Sempre tive a impressão que a origem dessa dificuldade está no caráter estatístico dos fenômenos quânticos. Enquanto que do lado de cá da realidade sempre podemos dizer se uma bolinha atirada para um cachorro pegar saiu pela porta ou pela janela, no mundo dos fenômenos quânticos é razoável dizer que um elétron ou um fóton passa por todas as fendas de uma retícula — e não uma ou outra em particular. Aliás, podemos até montar um experimento que detecte por qual fenda uma partícula “escolha” passar, mas aí o resultado final do experimento será muito diferente.

O caráter estatístico da física quântica gerou discussões apaixonadas nas primeiras décadas do século XX entre físicos e filósofos justamente por esse motivo. Algumas pessoas — Einstein, notadamente — não aceitavam que uma partícula real como um fóton ou elétron pudesse não ter coisas como trajetórias definidas, ou posições definidas, ou qualquer outra propriedade perfeitamente definida, não obstante nosso desconhecimento sobre essas mesmas propriedades. Para esses críticos da mecânica quântica, logo apelidados de Realistas, as probabilidades das equações da mecânica quântica representavam apenas o nosso grau de ignorância sobre as características do estado quântico em questão. Mas elas deveriam existir em princípio, ainda que inacessíveis.

Em contraposição aos Realistas estava a interpretação Ortodoxa da física quântica — não deveríamos nos preocupar com o caráter estatístico dos fenômenos quânticos, porque observamos coisas assim em nosso dia-a-dia sem pestanejar. Quando o globo com as bolinhas numeradas que vão sortear as dezenas da megassena está girando, nenhuma das dezenas está definida ainda. Há 1 chance em 60 de que uma dezena em particular será a primeira a sair do globo, mas não se pode dizer que a dezena “já exista” e nós é que não a conhecemos. Ela passa a existir somente depois de ter sido sorteada. Eu não levei a megassena acumulada de ontem, mas assim que o prêmio crescer de novo, vou fazer mais uma aposta…

A linha de transição entre o mundo macroscópico e o microscópico, onde valem as regras estatísticas da física quântica não é bem definida. Sabemos apenas que em sistemas compostos por um grande número de partículas — ou seja, no lado de cá da realidade, no mundo macroscópico cotidiano — todas essas pequenas flutuações e variações quânticas acabam tendendo para uma média e é essa média que vemos acontecer. A bolinha lançada para que nosso cachorro pegue vai sair pela porta, ou pela janela, sem dúvida alguma.

Falamos sobre esta e outras características fascinantes da física quântica em Pura Picaretagem, cujo evento de lançamento vai ser no dia 20 de junho às 19h na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Espero por vocês lá!

Viés de confirmação

30/05/2013

Saturday Morning Breakfast CartoonNum mundo de acesso rápido e quase ilimitado à informação, por que as pessoas se deixam enganar por produtos como colchões bioquânticos ou pulseiras harmonizadoras de energia? Não tenho uma resposta na ponta da língua, mas desconfio de algumas coisas.

Tomemos o recente caso dos boatos sobre o cancelamento do programa Bolsa-Família, por exemplo. Não sabemos quem originou a história, nem com que propósito em mente, mas observamos que 1- os boatos se espalharam como fogo em palha; 2- logo em seguida à confusão, dezenas de teorias conspiratórias sobre a origem dos primeiros boatos se espalharam com igual velocidade, cada uma suspeitando de seus alvos prediletos de antipatia. Todas tinham uma coisa em comum, entretanto: eram pura especulação sem base alguma em fatos. Quem acredita nesta ou naquela teoria sobre os boatos do Bolsa-Família o faz não porque tenha visto provas contundentes, ou porque esteja acompanhando de perto as investigações da Polícia Federal, mas porque calhou de encontrar uma ideia que confirme os sentimentos anti- ou pró-governamentais que já existiam em sua mente.

Suspeito que um processo semelhante ocorra com as famigeradas pulseiras Power Balance. Na seção de informações do site que as vende, seus fabricantes alegam que os hologramas especiais foram criados seguindo “as ideologias orientais sobre energias” (sic) e que, embora não possam provar que as pulseiras tenham qualquer espécie de benefício para a saúde (trecho, aliás, que foram obrigados a acrescentar pelo governo australiano), recomendam a seus usuários que decidam baseados em suas experiências pessoais. Ou seja, se o comprador estiver predisposto a acreditar que um holograma adesivo desenhado “de acordo com filosofias orientais” fará bem à sua saúde, bem, provavelmente ele vai comprar e usar o tal holograma. Se vai funcionar mesmo é outra história (dica: não vai).

Isso é o que se costuma chamar de viés de confirmação: nossa tendência a aceitar como corretas teorias, ideias, ideologias que reafirmem aquilo em que já acreditamos. É preciso ter um cuidado todo especial para filtrar essas ideias mais simpáticas. Dá trabalho e é muitas vezes desagradável questionar ideias que nos são confortáveis – mas uma das formas mais eficientes de construir conhecimentos úteis.

Mais sobre esse assunto no livro Pura Picaretagem, que escrevi em parceria com o jornalista Carlos Orsi, e que será lançado no dia 20 de junho na Livraria da Travessa do Shopping Leblon às 19h. Aguardamos vocês lá!

Explicando o Paradoxo dos Gêmeos

27/05/2013

Ouvi falar sobre o Paradoxo dos Gêmeos pela primeira vez quando eu tinha uns 14 anos e não sabia nada de Relatividade. Eu estava tentando me informar um pouco mais sobre o trabalho de Albert Einstein na única fonte que então eu tinha ao meu alcance, uma enciclopédia científica juvenil da (acho) Abril Cultural, lá pelo meio dos anos 80. Era o bastante para aguçar meu apetite, mas deixou muita a coisa a desejar.

O que eu li na enciclopédia juvenil dizia o seguinte: Einstein postulara que a velocidade da luz era constante para todos os observadores; e que por causa disso, o espaço e o próprio tempo têm que se contorcer para que essa constância seja mantida. Por causa disso, um astronauta que deixasse a Terra numa viagem quase à velocidade da luz em direção a uma estrela próxima e de volta envelheceria menos que seu irmão gêmeo que ficou aqui. Até aí, tudo bem. Mas porque chamar esse efeito de “paradoxo”? Bem, ocorre que outro dos postulados da Relatividade é que não há referenciais de observação privilegiados — trocando em miúdos, todo movimento é relativo. Ora, bolas, mas se todo o movimento é relativo, não seria possível admitir que o gêmeo que está na nave espacial se considere “parado” enquanto que o gêmeo na Terra “cavalga” o planeta para cima e para baixo junto com o resto do Universo — e, consequentemente, seja ele a envelhecer menos?

A enciclopédia juvenil não tinha uma explicação decente para isso. Em conversas com amigos tão nerds quanto eu na escola, ninguém parecia saber o motivo. A única explicação oferecida era que a nave espacial teria que acelerar em sua viagem de ida e volta, e acelerações são descritas apenas pela Relatividade Geral. O que, é claro, me deixou na mesma, pois não explicava nada (além de estar factualmente errado, uma vez que é possível fazer contas com aceleração mesmo na Relatividade Restrita). Como se não bastasse, a Dilatação do Tempo, efeito responsável pelo Paradoxo dos Gêmeos, é observado todos os dias em aceleradores de partículas ao redor do mundo: partículas subatômicas com meias-vidas muito pequenas são observadas com duração bem mais “esticada” simplesmente por se movimentarem quase à velocidade da luz. E não há aceleração nenhuma envolvida aí.

Eu só fui entender o que estava se passando muitos anos depois, já na Universidade, quando tive acesso à matemática por trás da Relatividade e, ainda mais importante, quando pude ler comentários sobre a teoria.

Imagine que os dois gêmeos vão sair cada um em seu carro do mesmo lugar com destino a um mesmo restaurante na cidade. Só que um deles vai direto, enquanto que o outro vai parar em alguns lugares para buscar amigos e familiares antes de chegar ao restaurante. Quando os dois irmãos chegam ao restaurante, eles comparam os hodômetros de seus carros. O que você acha que acontece? Obviamente, o gêmeo que foi direto vai ter uma distância rodada muito menor, enquanto que o gêmeo que foi buscar os amigos terá rodado muito mais. Ambos saíram do mesmo lugar e chegaram ao mesmo lugar, mas as rotas tomadas foram muito diferentes e é isso que os hodômetros registram.

Voltando à viagem espacial, é exatamente isso o que acontece. O gêmeo terrestre praticamente não sai de sua vizinhança no espaço-tempo, mas o gêmeo que está na nave espacial tem uma trajetória radicalmente diferente. Os relógios deles saem de sincronia porque são os “hodômetros” de suas respectivas trajetórias!

A chave para entender o Paradoxo é que precisamos levar em conta não apenas a nossa trajetória no espaço, mas também a trajetória no tempo. As regras para fazer essas contas são bem diferentes de deslocamentos espaciais cotidianos, como sair de carro de casa para um restaurante, mas não são tão mais difíceis assim. Uma vez que as tenhamos compreendido, vemos que o Paradoxo dos Gêmeos não é nada paradoxal.

Mapa e território

23/05/2013

Num mundo de smartphones, comunicação global quase instantânea e de fácil acesso à informação, às vezes é difícil lembrar que por trás de cada uma dessas inovações existe um longo processo de tentativa e erro, e que o caminho quase nunca é uma linha reta. Ao contrário, para cada nova descoberta científica ou aplicação tecnológica, foi preciso um longo tempo para que as ideias que as formaram viessem a amadurecer e a se concretizar. Nós, cidadãos do século XXI, talvez estejamos mal-acostumados. Temos mais informação disponível na ponta dos dedos do que somos realmente capazes de usar. Geladeiras inteligentes começam a aparecer nas casas mais abastadas. É cada vez mais difícil encontrar um aparelho qualquer que não contenha — ou não seja, em essência — um computador. As respostas a qualquer pergunta são fáceis de encontrar. Dúvidas são rapidamente substituídas por certezas prontas. Por tudo isso é difícil entender que às vezes até mesmo a ciência pode cometer erros factuais.

(more…)

Picaretagens Quânticas

21/05/2013

econvite-pura-picaretagem E chegou o dia!

Ao reabrir o blog eu disse que muitas novidades vinham por aí. Eu me orgulho em apresentar a primeira e talvez maior delas: meu primeiro livro publicado, escrito em parceria com o jornalista paulista Carlos Orsi. Em Pura Picaretagem tratamos de explicar o que é essa tal de física quântica — como nasceu, por que nasceu, o que ela diz e por que não é tão misteriosa quanto alguns dizem. E mais, explicamos porque a física quântica de verdade não tem nada a ver com os embustes que se vê por aí em livros e palestras de auto-ajuda.

O mundo está cheio de “Picaretas Quânticos”, pretensos especialistas que adoram usar jargão científico para confundir o cidadão leigo. Daí aparecerem buzzwords tais como “ativismo quântico”, “cura quântica” e tantas outras bobagens. Quem nunca ouviu um amigo ou parente, ou nunca assistiu um vídeo na internet em que um desses picaretas afirma que “a física quântica provou a existência da alma”, ou “a física quântica é o segredo por trás do pensamento positivo”. No livro, Carlos e eu mostramos o arcabouço científico que levou à criação da física quântica de verdade e exploramos algumas de suas consequências para mostrar que sim, esse ramo da ciência pode ser contra-intuitivo, mas não é nenhum bicho de sete cabeças.

Pura Picaretagem nasceu de conversas online com Carlos Orsi, que na época era blogueiro de ciências do jornal O Estado de São Paulo. Em 2010 ele escreveu este artigo, em que tratava justamente desses temas. Na ocasião, o Brasil estava para receber a visita de Masaru Emoto, o famigerado proponente da “teoria” da memória emotiva da água. Em comentários com Carlos via twitter e mensagens pessoais, a ideia para o livro surgiu, e decidimos investir nela. Graças a um contato do Carlos com , conseguimos um acordo com a editora LeYa (a mesma que publica Guerra dos Tronos no Brasil, olha que chique!) e a bola começou a rolar. O que se seguiu foram três anos de pesquisa, conferências via skype (eu nunca tinha encontrado o Carlos ao vivo, só o conheceria em pessoa por ocasião do lançamento do seu O Livro dos Milagres pela Vieira & Lent, aqui no Rio) e muito trabalho para produzir, revisar e aguardar o processo editorial do livro. De lá para cá Carlos deixou o Estadão (para o prejuízo do jornal, eu acho!), mas mantém um blog constantemente atualizado cuja leitura regular eu mais que recomendo.

Eu sinceramente espero que Pura Picaretagem seja o primeiro de muitos livros — ideias não faltam — nessa senda de obras de ceticismo e divulgação científica. O evento de lançamento será na Livraria da Travessa do Shopping Leblon aqui no Rio de Janeiro, dia 20 de junho, às 19h. Cliquem no convite virtual abaixo para serem levados à página de Facebook da festa. Aguardamos vocês por lá!

Evento de lançamento de "Pura Picaretagem". Apareça!

Reality Check sobre a situação em Fukushima

05/04/2011

Este é um post especial para complementar o que já escrevi hoje mais cedo. Como filtrar as centenas de notícias, tweets e artigos de blog que chegam das mais variadas fontes sobre a situação em Fukushima? Vou fazer um guia rápido aqui:

1 – A situação é séria. Muito séria. Se não fosse tão séria, não estaria repercutindo tanto assim. Desta forma, duvide muito de quem disser que está tudo tranquilo e que não vai ter problema nenhum. O fato é que a verdadeira extensão dos danos e das sequelas de Fukushima ainda são desconhecidas. E só saberemos mais depois que tudo estiver controlado.

2 – O Apocalipse Nuclear pintado pela mídia logo depois do terremoto é um cenário irreal. Usinas nucleares não explodem; e Fukushima não teve seus reatores expostos como em Chernobyl. China, Rússia e certamente EUA e Europa não precisam temer nuvens de contaminação radioativa. No próprio Japão, entretanto, os danos permanentes só poderão ser realmente avaliados depois que tudo estiver controlado.

3 – Não existem níveis seguros de exposição à radiação ionizante. Entretanto, estamos todos expostos à radiação ionizante do nascimento à morte. A estatística mostra que o corpo humano pode tolerar razoavelmente bem as doses a que os habitantes de Fukushima e vizinhanças foram expostos até agora — mas o vazamento no mar e a contaminação no solo precisam ser detidos logo.

4 – O complexo de Fukushima é antigo e ultrapassado. Ainda assim, resistiu a todos os terremotos japoneses dos últimos 30 anos, resistiu a um sismo 7 vezes mais forte para o qual foi projetado (e o mais forte já registrado em toda a longa história do Japão), e só apresentou problemas quando foi atingido por uma parede de água de 32 pés depois de tudo isso. Medite sobre o significado disso e compare com o que alguns estão falando sobre insegurança no planejamento de usinas nucleares.

5 – É possível que Fukushima se torne uma cidade-fantasma como Pripyat (Chernobyl) depois dos reatores serem controlados por causa da precipitação do césio-137. Também é possível que isso não seja necessário. Ainda não dá para dizer nada com certeza absoluta.

6 – Quanto mais certeza sobre as consequências do acidente um artigo qualquer demonstrar, tanto maior a chance de seu autor estar enganado. Prefira artigos que tenham (ou apontem links para) números sólidos de agências internacionais. Eu mesmo gosto de me informar na Agência Internacional de Energia Atômica – http://www.iaea.org/

7 – Informe-se corretamente. Você não procuraria um dentista para discutir detalhes de construção civil, nem veria um advogado para debater teoria literária. Procure por físicos e engenheiros nucleares para se informar sobre energia nuclear.

8 – Produção de energia 100% segura é impossível. Você pode se surpreender, mas mais gente morre por ano caindo de telhados ao instalar painés solares do que atingidos por radiação na indústria nuclear. Link: http://nextbigfuture.com/2011/03/deaths-per-twh-by-energy-source.html

Por fim, todos os anos morrem mais de trinta mil pessoas apenas em acidentes de trânsito no Brasil. Um número muito maior que esse ao redor do mundo morre em consequência das usinas de carvão; sem falar na mineração. Diante desses números de Guerra Mundial pouquíssimo se fala ou se protesta. Governos ao redor do mundo estão anunciando que vão rever seus projetos de construção de novas usinas nucleares, mas quantos estão comprometidos com investir em fontes limpas? Quantos estão orientando seus cidadãos para consumir de forma consciente? Quantos estão realmente empenhados em reduzir a dependência do petróleo?

Medite sobre isso também.

Rock com Ciência!

01/04/2011

Para começar a nova série de postagens de 2011 nada melhor que dar uma notícia boa: participei como convidado do programa “Rock com Ciência”, da Universidade Federal de Viçosa-MG, campus de Rio Paranaíba, falando sobre energia nuclear e radiação. São temas que sempre geram muita apreensão, especialmente após incidentes como esse agora de Fukushima, no Japão. Procurei dar um panorama geral do que é radiação e de como a energia nuclear é produzida, bem como acalmar um pouco o medo que cerca esse assunto.

O programa deve ir ao ar amanhã dia 02 de abril às 17 horas pela rádio Máximus FM em streaming e alguns dias depois estará disponível em formato de podcast. Quando isso acontecer eu abro uma outra postagem aqui para quem quiser debater mais sobre energia nuclear trocar uma ideia.

Enquanto isso, visitem o site http://www.rockcomciencia.com.br e curtam os vários episódios que já estão disponíveis! O programa sempre debate um tema científico ao som de rock and roll temático — informação e som de qualidade! Até lá!