Posts Tagged ‘Notas Aleatórias’

Em nome da honestidade intelectual

11/09/2013

Eu prometi que não ia entrar em detalhes e não vou. Mas em nome da honestidade intelectual, preciso dizer que deixei de ser ateu recentemente.

Não que eu tenha me convertido a alguma igreja, ou tenha passado a seguir alguma religião, nem nada disso. Continuo achando que o deus da Torá, da Bíblia e do Corão seja uma amálgama de várias crenças do antigo oriente médio e que já está mais que na hora de deixarmos de pautar nossas vidas modernas pela moral de povos do deserto de 3 mil anos atrás.

Talvez o mais correto (para quem ainda se importa com rótulos e descrições) fosse dizer que, no Espectro Dawkins de Probabilidade Teística, eu passei de 6 para 3, embora eu relute muito em assinalar uma “probabilidade” à existência de qualquer entidade divina. Não é isso que “probabilidade” significa, afinal.

Mas em que eu acredito agora, afinal? Talvez fosse melhor perguntar o que mudou. E o que mudou foi muito pouco. Continuo cético a respeito das picaretagens de sempre. Continuo fortemente favorável ao Estado Laico e contra a mistura vil entre política e religião que é tão popular por aqui. Continuo achando absurdas as apropriações indevidas da ciência pelas forças da superstição e da crença cega. Sigo achando que a Evolução se deu por obra da Seleção Natural, não sendo guiada por nenhuma intenção. Não sei se há vida após a morte e reencarnação (ainda acho que não) e pretendo seguir vivendo a vida como se não houvesse nem punição, nem recompensa depois dela.

O que mudou, portanto, é a sensação de haver algo mais por aí que não posso provar e sobre o que considero fútil debater. A redescoberta da “fé”, por falta de palavra melhor, foi algo muito pessoal e não espero que ninguém mais entenda.

Talvez um dia eu consiga expressar melhor o que penso e sinto, mas por ora prefiro deixar assim.

Anúncios

Mudança de ares

18/05/2013

As coisas mudam, às vezes muito mais rápido do que a gente pensa. Nos últimos sete anos eu me vi trabalhando num emprego que mal e mal pagava minhas contas e ainda me deixava muito infeliz. Não que eu não gostasse das pessoas ao meu redor — ao contrário, fiz boas amizades lá e tive a sorte de ter chefes cujos exemplos de gestão vou guardar como referência para o resto da vida. Mas lá eu era infeliz, porque eu não tinha a oportunidade de crescer – nem como profissional, nem como pensador. Eu estava estagnado.

Então, no ano passado eu tomei uma decisão radical – muitos diriam temerária – e pedi demissão.

Não foi na loucura, claro. Preparei o terreno por seis ou sete meses antes. Fiz um curso, ampliei minha rede de contatos e hoje eu vivo como tradutor profissional freelancer. Trabalhar por conta própria é sempre um risco, mas estou já a nove meses vivendo assim e não tive motivo para me arrepender.

Ora, mas o que é que tradução freelance tem a ver com a física, minha área de formação? E com este blog? Bem, nada… e tudo.

Quando eu estava no meu emprego anterior, sentia minha mente embotada pela constante pressão burocrática. A tradução me libertou nesse sentido, deixando que eu tivesse tempo para pensar, ler, imaginar… e agora, escrever. Eu ainda não sei se vale a pena tentar insistir num Mestrado em física (tenho uma boa chance semana que vem), mas o fato é que a vida definitivamente mudou para melhor. E com a mudança de ares, vem também a limpeza deste meu velho e empoeirado Telhado de Vidro. Eu tenho muitas novidades para contar. Aguardem!

A teoria do universo justo

22/06/2011

Várias vezes nos perguntamos algo como “o que eu fiz para merecer isso?” em momentos de crise. É natural e humano achar que, se formos cordiais e bondosos em nossa conduta, seremos recompensados da mesma forma. Isso pode até ser verdade na maior parte dos casos no trato com outras pessoas, mas a o triste fato é que às vezes coisas ruins acontecem com gente boa. Basta abrir o jornal para ler notícias de crimes banais, catástrofes da natureza e outros eventos totalmente aleatórios que destroem vidas preciosas.

(more…)

Filosofices – lá fora

17/06/2011

A vida está lá fora.

 

Trancado no meu cubículo, olhando sempre para a tela do computador, às vezes eu esqueço, mas a vida está lá fora. De noite geralmente estou estressado por causa do trânsito, com pouco tempo por causa de tarefas domésticas, atrasado com alguma conta no banco… mas a vida está lá fora.

 

Tenho que parar. Respirar. Ir ao teatro. Ir à praia, à floresta, à montanha. Experimentar o silêncio. Caminhar na rua. Tirar aquele livro da fila. Escutar aquela música. Estudar alguma coisa por prazer, não por obrigação.

 

A vida está lá fora. E se eu esquecer de olhar lá fora de vez em quando, a vida passa.

E no balanço de perdas e danos…

30/12/2010

… o ano de 2010 foi ruim, mas teve muitos pontos interessantes.

Financeiramente, 2010 foi péssimo, por razões inteiramente fora do meu controle. As perspectivas imediatas não são muito boas, aliás, o que vai tornar o começo de 2011 um verdadeiro desafio. Mas eu cresci em meio à hiper-inflação dos anos 80 e se sobrevivemos a aquilo, podemos passar por cima do período das vacas magras e voltar à estabilidade.

Meus dois irmãos casaram e desejo para eles toda a felicidade do mundo. Também foi o ano em que meus pais completaram 40 anos de casamento, de modo que foi clima de (e preparação para) festa de janeiro a dezembro. É uma felicidade que nossa família tenha um sentimento de união assim tão forte e que meus pais tenham transmitido isso para nós. Que venham os sobrinhos quando possível :-)

Me descobri podcaster. O Holocast é de nicho, mas tem seu público fiel e tenho lá umas quantas ideias para outros projetos em 2011, não apenas voltado para o público nerd.

Tive também uns bons jogos de RPG, os quais espero prosseguir ano que vem. O tempo é cada vez mais escasso, então tenho que compensar com a qualidade dos jogos. Faço pequenos jogos solo com minha mulher, o que vem dando muito certo desde 2005 e a tendência é continuar assim. Adoraria encerrar algumas campanhas com o resto da galera e me dedicar a outros jogos. Tempo para isso é que são elas.

Comecei uns quantos projetos pessoais — um deles um muito adiado objetivo de complementar meu Bacharelado com uma Licenciatura através do excelente projeto de ensino à distância do CEDERJ. A ideia é chegar em 2012 me dedicando completamente à Física, o que já não é sem tempo. E por falar em Física…

… ainda não fui chamado num concurso que fiquei em 2º lugar. Ele expira agora em abril (não sei se será renovado, espero que sim). Ser chamado para lá me resolveria uma série de problemas financeiros. Fiquei em 7º no concurso da CNEN, uma excelente colocação, mas insuficiente para ir à segunda etapa, pois só os cinco primeiros foram chamados — era apenas uma vaga. Dado o meu escasso tempo para estudar entre sair do trabalho às 18h e ainda ter que cuidar da casa os resultados são encorajadores, mas definitivamente preciso melhorar a performance.

O que esperar de 2011, então? Bem, faz tempo que não faço promessas de ano-novo, mas vou arriscar uma: muito mais trabalho frutífero, que de ralação inócua já bastaram os últimos doze meses! Boas entradas e feliz ano novo!

Estações e cultura

08/11/2010

Discutir certas coisas como Horário de Verão e estações do ano com minha mulher é frustrante às vezes. Ela nasceu em Belém do Pará, bem perto da linha do Equador, e lá a variação nos horários de luz solar ao longo do ano é muito pequena. Não existem “estações do ano” bem definidas; de fato, os meses que nós aqui no Sudeste chamamos de verão são os de “inverno” para eles, porque chove mais e por mais tempo.

O ritmo cotidiano dela parece ser ditado pelas horas de luz solar: ela acorda com o sol nascendo e sente sono umas quatro ou cinco horas depois que ele se põe. Por isso mesmo ela está bastante confortável com o atual horário de verão a que estamos submetidos, pois diz que é uma forma do Homem “corrigir a natureza”. Ela fala isso metade troçando comigo, porque sabe que eu pego pilha fácil; e metade a sério. E o faz porque veio de uma cultura que associa fortemente luz solar a ciclos estáveis, sensação de calor com pouca chuva à ideia de “verão” e sensação de pouco calor com mais chuva à ideia de “inverno”.

Conforme eu já expliquei algumas vezes, as estações do ano são fenômenos puramente astronômicos: a Terra se movimenta ao redor do Sol e seu eixo de rotação inclinado faz com que atravesse quatro momentos muito específicos no ano, dois em que a luz do sol ilumina sua superfície bem “de frente” em toda parte (i.é., o sol passa pelo equador celeste) e dois em que a posição do sol no céu atinge pontos máximos na esfera celeste. Esses momentos marcam os pontos divisórios entre as estações do ano e por isso podem ser calculados com precisão de frações de segundo.

O microclima local em cada região, por sua vez, depende sim da intensidade da radiação solar (a qual por sua vez depende da estação do ano), mas depende bastante também das condições geográficas, hidrológicas e atmosféricas da vizinhança. Este ano, por exemplo, o fenômeno La Niña tem ocasionado a entrada de mais frentes frias do Sudeste até o Nordeste do país e com isso temos a sensação de uma Primavera bem mais amena que em anos recentes (eu estou adorando). De fato, nos últimos anos o clima parece tão esquisito que o calor leva mais um mês, um mês e meio a mais para ir embora e o frio se alonga até meados de outubro. Para minha mulher, isso significa que as estações do ano estão se atrasando — até as árvores sabem disso ao florescer mais tarde. Para mim e para a Astronomia, entretanto, estações do ano são coisas muito diferentes de calor e frio, que dependem muito mais desses fatores locais — e porque não dizer, da cultura em que nascemos.

Mas vá explicar isso para a atriz que adora me colocar pilha!

Conteúdo

11/08/2010

Leio hoje no Estado de São Paulo uma entrevista em que um advogado especialista em propriedade intelectual argumenta que o conteúdo online dos grandes jornais e revistas tem que ser fechado. “Não existe almoço grátis”, diz ele, “Se queremos jornalismo de qualidade, de alguma forma isso tem de ser remunerado”. (leia a íntegra aqui).

É uma discussão ao menos tão antiga quanto o boom da internet e profusão de blogs e sites agregadores de notícia. Ganhou novo fôlego quando caiu a exigência de diploma para jornalistas e subitamente qualquer um poderia se considerar jornalista. Na época, aliás, conversava com uma colega muito preocupada em como continuar se diferenciando num mercado cada vez mais apertado.

A resposta para mim é simples: saber falar a linguagem da mídia que se usa.

(more…)

Saindo do armário

14/07/2010

Meu nome é Daniel, tenho 35 anos, sou Bacharel em Física e ateu. Pronto, saiu. E é impressionante que declarar algo algo que já é praticamente conhecimento público possa ser tão difícil.

(more…)

Perguntar não ofende

18/03/2010

Quando um maluco assassina uma garota indefesa num cemitério num ritual místico relacionado a um RPG, a culpa é desse jogo demoníaco que deveria ser proibido.

Quando um maluco assassina um pai e um filho indefesos porque sofre de delírios religiosos a culpa é…?

Faxina de férias!

23/02/2010

Olá, pessoal!

É, o blog estava meio abandonado desde o final de 2009. Muita coisa esteve (e para falar a verdade, ainda está) acontecendo; não a menor das quais umas longas e merecidas férias que tirei em Janeiro. Fiquei com acesso muito limitado à internet e quando voltei havia ainda uma boa dose de preguiça.

Mas eu aproveitei o tempo para colocar a leitura em dia e voltar a pensar em ciência, política, cinema, séries de FC na TV — todas essas coisas ocupam a mente de um, e nem sempre deixam espaço para organizar textos coerentes na internet. Mas como manter um blog também é um exercício de disciplina, eis aqui o Telhado no ar mais uma vez, polido e brilhante, pronto para receber as pedradas de 2010!