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Bienal do Livro de 2013, round 2

12/09/2013

Voltei à Bienal do Livro no último dia, domingo dia 8 de setembro e posto agora as impressões dessa segunda visita.

Foi muito legal ter o crachá de “autor” pendurado no pescoço, entrar de graça e procurar descontos para profissionais do livro. Mas a experiência completa de entrar como autor vai ter que ficar para uma próxima vez — talvez quando eu puder sentar e dar autógrafos a pedido da editora. Eu poderia ter feito isso no domingo, mas entre minha extrema timidez de chegar lá no stand da Leya e me apresentar como autor e o fato de não ter encontrado nenhuma das pessoas da editora com quem já tinha conversado por e-mail, fiquei só na entrada franca e no autógrafo para um amigo.

De resto eu gostei bastante. As legiões de estudantes continuavam lá, mas não mais de uniforme, nem transportados por ônibus fretados, mas agora vinham com suas famílias. E quantas! Muitas, muitas além das tradicionais consumidoras de livros que lotam toda Bienal. Muitas famílias pardas e negras, bem mais do que eu me lembrava em 2001, o que é sempre uma boa coisa. O mote da feira é cada vez mais o livro como mídia de entretenimento; e certamente o público procurava mais por esse tipo de literatura do que por outra coisa. Mas não acho isso necessariamente ruim — os amantes de outro tipo de literatura sempre estão lá e pela primeira vez em muito tempo eu pude ver com meus próprios olhos o que já lia e via sendo comentado pelos entendidos do mercado: nosso povo está de fato lendo cada vez mais.

Anotei o nome de alguns livros para procurar depois (o orçamento estava apertado, como sempre) e além do “Guia Ilustrado da Teoria Quântica”, que mencionei antes, levei também o lançamento do amigo Octavio Aragão (“Reis de Todos os Mundos Possíveis”) e algo que procurava há quase 17 anos… “Os Companheiros do Crepúsculo”, genial quadrinho do francês Bourgeon, sobre as aventuras fantásticas e oníricas de uma moça camponesa e seus improváveis companheiros pela França durante a Guerra dos Cem Anos. Saiu uma tradução brasileira pela Nemo — eu conhecia a versão portuguesa, que li em 96 ou 97, mas não pude ler o terceiro e último volume da história. Agora o ciclo se fechou.

Foi um belo passeio. Pretendo voltar em 2015 — quem sabe como autor, mesmo, e não apenas com um crachá de entrada franca?

Em nome da honestidade intelectual

11/09/2013

Eu prometi que não ia entrar em detalhes e não vou. Mas em nome da honestidade intelectual, preciso dizer que deixei de ser ateu recentemente.

Não que eu tenha me convertido a alguma igreja, ou tenha passado a seguir alguma religião, nem nada disso. Continuo achando que o deus da Torá, da Bíblia e do Corão seja uma amálgama de várias crenças do antigo oriente médio e que já está mais que na hora de deixarmos de pautar nossas vidas modernas pela moral de povos do deserto de 3 mil anos atrás.

Talvez o mais correto (para quem ainda se importa com rótulos e descrições) fosse dizer que, no Espectro Dawkins de Probabilidade Teística, eu passei de 6 para 3, embora eu relute muito em assinalar uma “probabilidade” à existência de qualquer entidade divina. Não é isso que “probabilidade” significa, afinal.

Mas em que eu acredito agora, afinal? Talvez fosse melhor perguntar o que mudou. E o que mudou foi muito pouco. Continuo cético a respeito das picaretagens de sempre. Continuo fortemente favorável ao Estado Laico e contra a mistura vil entre política e religião que é tão popular por aqui. Continuo achando absurdas as apropriações indevidas da ciência pelas forças da superstição e da crença cega. Sigo achando que a Evolução se deu por obra da Seleção Natural, não sendo guiada por nenhuma intenção. Não sei se há vida após a morte e reencarnação (ainda acho que não) e pretendo seguir vivendo a vida como se não houvesse nem punição, nem recompensa depois dela.

O que mudou, portanto, é a sensação de haver algo mais por aí que não posso provar e sobre o que considero fútil debater. A redescoberta da “fé”, por falta de palavra melhor, foi algo muito pessoal e não espero que ninguém mais entenda.

Talvez um dia eu consiga expressar melhor o que penso e sinto, mas por ora prefiro deixar assim.

Bienal do Livro 2013

06/09/2013

A última vez que fui na Bienal do Livro aqui no Rio foi em 2001. Seis edições mais tarde, volto lá como autor para encontrar o cenário um pouco mudado. A festa continua sendo organizada no Riocentro, que talvez seja o único espaço na cidade amplo o bastante para receber tamanho número de expositores e visitantes. Infelizmente, continua sendo um pesadelo chegar no Riocentro – especialmente agora, com todas as obras de BRT, Metrô e até do Rock in Rio acontecendo no caminho. Saí ontem às 9 da manhã e cheguei às 11h15. Metade desse tempo foi gasta só no trajeto entre o Terminal Alvorada e o Riocentro. Como escreveu o Zuenir Ventura na quarta-feira, a Bienal do Rio é muito legal, pena que fique na Barra da Tijuca e não no Rio.

Como autor e tendo vindo de transporte público, não tive que pagar um centavo para entrar no evento propriamente dito. É uma das coisas que me aborrece na Bienal, aliás: o local é afastado, é complicado ir embora de transporte público, por causa dos engarrafamentos ou do sumiço dos ônibus depois de certa hora; é preciso pagar um ingresso não muito barato e o estacionamento idem. E trate de levar um lanchinho, porque todos os quiosques de alimentação lá não têm vergonha de cobrar duas ou três vezes mais do que em outros lugares. Um almoço executivo com promoção “para estudantes” sai por volta de 50 reais.

Sobre a Bienal em si: muitos, muitos jovens presentes. Inúmeros ônibus de excursão lotavam os pátios e injetavam milhares de estudantes de escolas públicas de todas as séries no Riocentro. Lá dentro, os stands mais diversos estavam sempre cheios de crianças e jovens folheando livros. Verdade que a maioria dos títulos que compravam eram os livros “da moda”, ou quadrinhos em promoção por 5,50, ou os mangás mais populares – mas isso não chega a ser um problema. O nome do jogo é “literatura de entretenimento”, e se é isso que a garotada compra, é isso que as livrarias vão vender. Naturalmente, os stands que mais enchiam eram o da Comix, o da Panini e os das editoras e livrarias com os romances baseados em videogames da série Assassin’s Creed e similares.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado à literatura religiosa. Vi uns cinco ou seis stands de livrarias religiosas, sem contar o das tradicionais Edições Paulinas e Loyola, que sempre estiveram lá (pelo tanto que me lembro, ao menos). Muitas eram especializadas em livros evangélicos e neopentecostais. Havia um curioso stand sobre o Alcorão, com a presença de um clérigo barbudo de óculos e várias mulheres com a cabeça coberta e a face à mostra. Fiquei com vontade de olhar este último mais de perto, mas algo no olhar do clérigo me intimidou. Ele, as mulheres e o stand pareciam estar lá para angariar convertidos…

Havia alguns stands de livros esotéricos também e muitos, incontáveis títulos de auto-ajuda espalhados por toda a bienal. Será que sempre foi assim, ou eu passei a reparar mais nisso agora? Fica a dúvida.

Senti muita falta da presença de livros técnicos na área de exatas nos stands das livrarias de universidades. Havia um bocado dos títulos nas áreas de sociologia, história e filosofia, além das arengas de sempre contra e a favor do comunismo e do capitalismo. Como eu adoraria que os dois sistemas morressem de uma vez e nos deixassem desenvolver algo mais apropriado ao século XXI!

O pequeno stand da LeYa tinha o meu livro (yay!) e vários outros. É uma editora muito eclética, com livros em todas as áreas. Um dos novos lançamentos era o livro de um pastor evangélico que afirmava que a física quântica provava a existência de Deus e dos milagres – que, é claro, estava em maior destaque que o Pura Picaretagem. Fazer o quê, não é mesmo? Ali na LeYa comprei um “História Ilustrada da Física Quântica”, um livrinho delicioso altamente recomendado. Encontrei meu primo ali, e percorri o resto da feira com ele.

Não tive muita oportunidade de olhar as estantes com a calma que gosto, por causa do barulho da garotada e das filas imensas por toda a parte. Para falar a verdade, tinha acordado passando não muito bem, então não tive disposição para ficar até as 16h, quando haveria uma palestra que eu tinha alguma vontade de assistir. O prospecto de pegar o trânsito do Rush no Recreio e na Barra não me animou muito também… assim, depois de rodar nos três pavilhões por duas vezes e depois de desistir de comprar Os Companheiros do Crepúsculo no stand da Comix (o desconto não estava atraente), resolvi encarar as duas horas de volta para casa.

Foi um bom reconhecimento de terreno.

Pretendo voltar lá no último dia, domingo dia 8. Com sorte, haverá menos estudantes simpaticamente barulhentos e um pouco mais de tempo para olhar os livros com calma. Se vocês estiverem por lá, apareçam no stand da LeYa — E07, Pavilhão Azul — e a gente bate papo. Até lá!

Mudança de ares

18/05/2013

As coisas mudam, às vezes muito mais rápido do que a gente pensa. Nos últimos sete anos eu me vi trabalhando num emprego que mal e mal pagava minhas contas e ainda me deixava muito infeliz. Não que eu não gostasse das pessoas ao meu redor — ao contrário, fiz boas amizades lá e tive a sorte de ter chefes cujos exemplos de gestão vou guardar como referência para o resto da vida. Mas lá eu era infeliz, porque eu não tinha a oportunidade de crescer – nem como profissional, nem como pensador. Eu estava estagnado.

Então, no ano passado eu tomei uma decisão radical – muitos diriam temerária – e pedi demissão.

Não foi na loucura, claro. Preparei o terreno por seis ou sete meses antes. Fiz um curso, ampliei minha rede de contatos e hoje eu vivo como tradutor profissional freelancer. Trabalhar por conta própria é sempre um risco, mas estou já a nove meses vivendo assim e não tive motivo para me arrepender.

Ora, mas o que é que tradução freelance tem a ver com a física, minha área de formação? E com este blog? Bem, nada… e tudo.

Quando eu estava no meu emprego anterior, sentia minha mente embotada pela constante pressão burocrática. A tradução me libertou nesse sentido, deixando que eu tivesse tempo para pensar, ler, imaginar… e agora, escrever. Eu ainda não sei se vale a pena tentar insistir num Mestrado em física (tenho uma boa chance semana que vem), mas o fato é que a vida definitivamente mudou para melhor. E com a mudança de ares, vem também a limpeza deste meu velho e empoeirado Telhado de Vidro. Eu tenho muitas novidades para contar. Aguardem!

E no balanço de perdas e danos…

30/12/2010

… o ano de 2010 foi ruim, mas teve muitos pontos interessantes.

Financeiramente, 2010 foi péssimo, por razões inteiramente fora do meu controle. As perspectivas imediatas não são muito boas, aliás, o que vai tornar o começo de 2011 um verdadeiro desafio. Mas eu cresci em meio à hiper-inflação dos anos 80 e se sobrevivemos a aquilo, podemos passar por cima do período das vacas magras e voltar à estabilidade.

Meus dois irmãos casaram e desejo para eles toda a felicidade do mundo. Também foi o ano em que meus pais completaram 40 anos de casamento, de modo que foi clima de (e preparação para) festa de janeiro a dezembro. É uma felicidade que nossa família tenha um sentimento de união assim tão forte e que meus pais tenham transmitido isso para nós. Que venham os sobrinhos quando possível :-)

Me descobri podcaster. O Holocast é de nicho, mas tem seu público fiel e tenho lá umas quantas ideias para outros projetos em 2011, não apenas voltado para o público nerd.

Tive também uns bons jogos de RPG, os quais espero prosseguir ano que vem. O tempo é cada vez mais escasso, então tenho que compensar com a qualidade dos jogos. Faço pequenos jogos solo com minha mulher, o que vem dando muito certo desde 2005 e a tendência é continuar assim. Adoraria encerrar algumas campanhas com o resto da galera e me dedicar a outros jogos. Tempo para isso é que são elas.

Comecei uns quantos projetos pessoais — um deles um muito adiado objetivo de complementar meu Bacharelado com uma Licenciatura através do excelente projeto de ensino à distância do CEDERJ. A ideia é chegar em 2012 me dedicando completamente à Física, o que já não é sem tempo. E por falar em Física…

… ainda não fui chamado num concurso que fiquei em 2º lugar. Ele expira agora em abril (não sei se será renovado, espero que sim). Ser chamado para lá me resolveria uma série de problemas financeiros. Fiquei em 7º no concurso da CNEN, uma excelente colocação, mas insuficiente para ir à segunda etapa, pois só os cinco primeiros foram chamados — era apenas uma vaga. Dado o meu escasso tempo para estudar entre sair do trabalho às 18h e ainda ter que cuidar da casa os resultados são encorajadores, mas definitivamente preciso melhorar a performance.

O que esperar de 2011, então? Bem, faz tempo que não faço promessas de ano-novo, mas vou arriscar uma: muito mais trabalho frutífero, que de ralação inócua já bastaram os últimos doze meses! Boas entradas e feliz ano novo!