Archive for the ‘Ceticismo’ Category

Em nome da honestidade intelectual

11/09/2013

Eu prometi que não ia entrar em detalhes e não vou. Mas em nome da honestidade intelectual, preciso dizer que deixei de ser ateu recentemente.

Não que eu tenha me convertido a alguma igreja, ou tenha passado a seguir alguma religião, nem nada disso. Continuo achando que o deus da Torá, da Bíblia e do Corão seja uma amálgama de várias crenças do antigo oriente médio e que já está mais que na hora de deixarmos de pautar nossas vidas modernas pela moral de povos do deserto de 3 mil anos atrás.

Talvez o mais correto (para quem ainda se importa com rótulos e descrições) fosse dizer que, no Espectro Dawkins de Probabilidade Teística, eu passei de 6 para 3, embora eu relute muito em assinalar uma “probabilidade” à existência de qualquer entidade divina. Não é isso que “probabilidade” significa, afinal.

Mas em que eu acredito agora, afinal? Talvez fosse melhor perguntar o que mudou. E o que mudou foi muito pouco. Continuo cético a respeito das picaretagens de sempre. Continuo fortemente favorável ao Estado Laico e contra a mistura vil entre política e religião que é tão popular por aqui. Continuo achando absurdas as apropriações indevidas da ciência pelas forças da superstição e da crença cega. Sigo achando que a Evolução se deu por obra da Seleção Natural, não sendo guiada por nenhuma intenção. Não sei se há vida após a morte e reencarnação (ainda acho que não) e pretendo seguir vivendo a vida como se não houvesse nem punição, nem recompensa depois dela.

O que mudou, portanto, é a sensação de haver algo mais por aí que não posso provar e sobre o que considero fútil debater. A redescoberta da “fé”, por falta de palavra melhor, foi algo muito pessoal e não espero que ninguém mais entenda.

Talvez um dia eu consiga expressar melhor o que penso e sinto, mas por ora prefiro deixar assim.

De crises de descrença, misticismos e mistificações

08/08/2013

Já faz algum tempo que ando passando pelo que chamo de “crise de descrença”. Não é que eu tenha subitamente voltado à igreja cristã que eu frequentava na juventude, nem que tenha me convertido a alguma nova seita. Não, continuo o mesmo cético de sempre, mas apenas… bem, apenas tenho o costume de questionar tudo o tempo todo, até mesmo o meu ateísmo. Não vou comentar muito sobre isso por aqui, já que é algo extremamente pessoal, mas a nota merece aparecer por uma questão de integridade intelectual.

O curioso nessas horas é que sempre começamos a prestar atenção em textos e ideias religiosas que de outra forma passariam batidas. No meu caso, acabei esbarrando num trecho interessante sobre a natureza do Budismo – sobre o que ele não é, segundo o autor.

Desde que deixei de me identificar com o cristianismo, o budismo sempre me pareceu uma opção interessante. É uma religião, claro, mas é uma religião com uma filosofia bastante peculiar. Sou muito atraído por alguns de seus ensinamentos, em particular os que falam sobre desapego, sobre a necessidade da anulação dos egoísmos e, pelo menos de acordo com o atual Dalai Lama, sobre a saudável relação que se deve manter com o ceticismo. Enfim, gostei muito do blog “Sobre Budismo”, linkado aí em cima, e sobre a listinha elaborada. O site faz parte de um anel de outras páginas budistas, quase todas tão interessantes quando o blog. O legal a respeito da maior parte das vertentes do budismo é que elas orientam seus praticantes a não seguir cegamente orientação alguma, mas que continuem sempre em busca, testando o conhecimento adquirido para ver se continua sendo útil em suas vidas.

O maior problema com as vertentes do budismo que conheci, entretanto, é que elas não parecem seguir o próprio conselho.

Vejam, não estou querendo generalizar. Não me considero especialista, de modo algum. E nunca realmente pesquisei o budismo a fundo (isso pode mudar em breve). Mas todas as vezes que encontrei templos, páginas ou qualquer material dedicado à religião, sempre me pareceu que havia um “pacote” a ser adquirido pelo praticante — reencarnação, transmigração, veneração de gurus ou personalidades específicas, e por aí afora. Ou seja, como em todas as religiões que encontrei nesta vida, me parece que os vários tipos de budismo também sofrem de pequenos dogmas que, para mim, são meio impalatáveis. Especificamente, vasculhando no anel de páginas budistas acima mencionado, encontrei um convite para uma palestra (paga, é óbvio) sobre física quântica e espiritualidade, apoiada por um tal “Instituto Sabedoria Quântica”. Uau.

Eu realmente não entendo. De todas as religiões que conheci, o Budismo é, de longe, a que me soa mais interessante. E mesmo assim, tem gente que parece não se contentar que ela forneça um arcabouço filosófico capaz de enfrentar as questões espirituais da existência — não, essa gente precisa que sua crença favorita também forneça respostas prontas para a natureza física do universo. E isso, crise de descrença ou não, eu nunca mais vou conseguir engolir.

Talvez fosse a hora para os religiosos encararem suas crenças de frente e entenderem que as dúvidas e os questionamentos podem ser muito mais frutíferos do que as respostas prontas — que dúvidas e questionamentos podem ser um bom caminho para alcançar a tal da serenidade e da sabedoria que todas as religiões prometem. Qualquer que seja o resultado da minha crise de descrença, acho que meu caminho deve ser esse. Vamos ver até onde ele vai…

Aconteceu

21/06/2013

Autores

E aconteceu.

Grato a todo mundo que esteve lá, ainda que em espírito!

Pura Picaretagem já está disponível nas melhores livrarias e também na Amazon.com.br em forma de ebook!

É hoje!

20/06/2013

Em grande companhia.O bom terremoto político que ora sacode o país fez com que uma torrente de emoções me tomassem de assalto nesta semana. Mas, se me permitem um momento de auto-congratulação, basta olharem para a imagem que abre o post. Estamos em ótima companhia, Carlos Orsi e eu.

O evento de lançamento de Pura Picaretagem acontece hoje, às 19h na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Nos vemos por lá! Agradeço à amiga Flavia Budant pela imagem!

Incerteza e inexatidão

13/06/2013

Uma das características marcantes da mecânica quântica é expressa pelo Princípio da Incerteza de Heisenberg: é impossível medir com precisão arbitrária certos partes de observáveis, como posição e momento linear, por exemplo. Isso significa que se quisermos determinar com precisão quase absoluta a posição de um elétron, digamos, não seremos capazes de dizer com certeza com que velocidade ele está se deslocando — o elétron vai ter um momento linear bastante espalhado. Da mesma forma, se conseguirmos medir bem o momento linear do elétron, será sua posição que se tornará espalhada e incerta.

O Princípio da Incerteza e o caráter não-determinístico da mecânica quântica são diretamente responsáveis pelas propriedades contraintuitivas dos objetos subatômicos. Os fenômenos quânticos nos parecem estranhos porque não estamos acostumados a pensar nesses termos. Não é de se surpreender, portanto, que tanta gente ache que a mecânica quântica é uma área de conhecimento insondável e misteriosa.

Infelizmente, gente mal-informada (ou maliciosa, mesmo), se aproveita dessa aura de mistério da mecânica quântica para promover empulhações de toda ordem. Só esta semana recebi dois convites para workshops sobre mecânica quântica, espiritualidade e poder do pensamento positivo. Não coloco o link direto para não gerar hits nas páginas dos eventos, mas se vocês tiverem curiosidade, não é difícil achar fazendo uma pesquisa rápida no Google. O que me deixa mais aborrecido, mais até do que o fato de que um dos eventos é promovido por uma Mestra em Física que alega trabalhar no CBPF, é que cada um desses eventos são pagos. E não custam barato! Para comparecer a uma dessas “oficinas”, alguém teria que desembolsar mais de R$ 300,00 a título de “investimento” — tudo isso para ouvir uma cantilena rasa e açucarada sobre física quântica e o poder da mente, ou alguma besteira igualmente incorreta e inexata. O problema é que esses eventos sempre lotam. As pessoas são naturalmente curiosas a respeito do mundo e, na ausência de livros e eventos que falem sobre as verdadeiras propriedades da física quântica, é fácil entender por que mistificadores aparecem — para cobrir essa lacuna.

A intenção por trás de Pura Picaretagem é informar o público; fornecer ao leitor leigo, porém curioso, as ferramentas e informações adequadas para que saiba diferenciar a ciência de verdade das mais variadas empulhações. E também tenta demonstrar um pouco da história e das características de uma ciência que pode sim ser estranha, mas não é, de maneira nenhuma, mística e insondável.

Pura Picaretagem já está a venda nas livrarias e seu evento de lançamento será semana que vem, dia 20 de junho às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Espero por vocês lá!

Loterias quânticas

06/06/2013

Tenho que confessar uma coisa a vocês: eu adoro jogar na loteria. Um professor do Ensino Médio uma vez me disse que “quem sabe matemática não joga na megassena”. Ele não deixa de ter razão. Afinal, uma aposta simples de seis dezenas tem mais ou menos 1 chance em 50 milhões de ganhar. Isso significa que você poderia jogar uma vez por semana todas as semanas e ainda assim levaria algo como um milhão de anos para acertar a sena. E mesmo assim, a chance para quem joga é maior do que zero — então toda vez que o prêmio acumula um bocado, lá vou eu apostar um bilhetinho.

O que a gente não costuma se dar conta é que o nosso cotidiano, todo ele, é definido por um quantidade incontável de pequenas loterias quânticas. O elétron vai para aquele caminho, ou por outro? O átomo vai decair agora, ou daqui a pouco? Aquela célula importante vai se copiar direitinho, ou vai ocorrer uma mutação imprevisível?

A física quântica tem fama ser difícil de compreender. De fato, há muita coisa contraintuitiva nos fundamentos dessa área da ciência. Sempre tive a impressão que a origem dessa dificuldade está no caráter estatístico dos fenômenos quânticos. Enquanto que do lado de cá da realidade sempre podemos dizer se uma bolinha atirada para um cachorro pegar saiu pela porta ou pela janela, no mundo dos fenômenos quânticos é razoável dizer que um elétron ou um fóton passa por todas as fendas de uma retícula — e não uma ou outra em particular. Aliás, podemos até montar um experimento que detecte por qual fenda uma partícula “escolha” passar, mas aí o resultado final do experimento será muito diferente.

O caráter estatístico da física quântica gerou discussões apaixonadas nas primeiras décadas do século XX entre físicos e filósofos justamente por esse motivo. Algumas pessoas — Einstein, notadamente — não aceitavam que uma partícula real como um fóton ou elétron pudesse não ter coisas como trajetórias definidas, ou posições definidas, ou qualquer outra propriedade perfeitamente definida, não obstante nosso desconhecimento sobre essas mesmas propriedades. Para esses críticos da mecânica quântica, logo apelidados de Realistas, as probabilidades das equações da mecânica quântica representavam apenas o nosso grau de ignorância sobre as características do estado quântico em questão. Mas elas deveriam existir em princípio, ainda que inacessíveis.

Em contraposição aos Realistas estava a interpretação Ortodoxa da física quântica — não deveríamos nos preocupar com o caráter estatístico dos fenômenos quânticos, porque observamos coisas assim em nosso dia-a-dia sem pestanejar. Quando o globo com as bolinhas numeradas que vão sortear as dezenas da megassena está girando, nenhuma das dezenas está definida ainda. Há 1 chance em 60 de que uma dezena em particular será a primeira a sair do globo, mas não se pode dizer que a dezena “já exista” e nós é que não a conhecemos. Ela passa a existir somente depois de ter sido sorteada. Eu não levei a megassena acumulada de ontem, mas assim que o prêmio crescer de novo, vou fazer mais uma aposta…

A linha de transição entre o mundo macroscópico e o microscópico, onde valem as regras estatísticas da física quântica não é bem definida. Sabemos apenas que em sistemas compostos por um grande número de partículas — ou seja, no lado de cá da realidade, no mundo macroscópico cotidiano — todas essas pequenas flutuações e variações quânticas acabam tendendo para uma média e é essa média que vemos acontecer. A bolinha lançada para que nosso cachorro pegue vai sair pela porta, ou pela janela, sem dúvida alguma.

Falamos sobre esta e outras características fascinantes da física quântica em Pura Picaretagem, cujo evento de lançamento vai ser no dia 20 de junho às 19h na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Espero por vocês lá!

Amálgama

03/06/2013

Eu planejava anunciar esta novidade primeiro, mas aí veio o livro e é claro que ele ganhou precedência nos destaques. Mas agora é uma boa hora: desde o ano passado venho escrevendo sobre ciência e fazendo resenha de livros para o Amálgama, site sobre atualidades, sociedade e cultura que vem abrindo espaço para outros temas. Recebi o convite para começar a resenhar livros para lá e, tendo finalizado o livro, propus escrever uma coluna semi-irregular sobre física também. Meu xará e editor do site, Daniel Lopes, caiu na minha esparrela e lá estou!

Resenhei três livros até agora e acabo de publicar a sexta coluna sobre física. Já fiz algum barulho sobre minha produção no Amálgama no twitter e no Facebook, então é possível que vocês já tenham lido meus textos. O mais fresquinho é este aqui, sobre disputas científicas de popularidade e teorias alternativas ao Modelo Padrão da Cosmologia. Clicando em “Colaborações de Daniel Bezerra” é possível acessar os outros artigos.

Conciliar tradução, divulgação da própria obra, tocar outros projetos de livros e cuidar da casa e da família não é tarefa das mais fáceis, mas estou tentando justamente me disciplinar um pouco mais para dar atenção a tudo isso sem prejuízo para nenhuma parte.

Em tempo e a propósito, minha conta no Formspring continua ativa, depois de rumores que o site de perguntas e respostas seria fechado e foi aparentemente salvo. Assim sendo, se alguém tiver dúvidas… Pergunte a um Físico!

Viés de confirmação

30/05/2013

Saturday Morning Breakfast CartoonNum mundo de acesso rápido e quase ilimitado à informação, por que as pessoas se deixam enganar por produtos como colchões bioquânticos ou pulseiras harmonizadoras de energia? Não tenho uma resposta na ponta da língua, mas desconfio de algumas coisas.

Tomemos o recente caso dos boatos sobre o cancelamento do programa Bolsa-Família, por exemplo. Não sabemos quem originou a história, nem com que propósito em mente, mas observamos que 1- os boatos se espalharam como fogo em palha; 2- logo em seguida à confusão, dezenas de teorias conspiratórias sobre a origem dos primeiros boatos se espalharam com igual velocidade, cada uma suspeitando de seus alvos prediletos de antipatia. Todas tinham uma coisa em comum, entretanto: eram pura especulação sem base alguma em fatos. Quem acredita nesta ou naquela teoria sobre os boatos do Bolsa-Família o faz não porque tenha visto provas contundentes, ou porque esteja acompanhando de perto as investigações da Polícia Federal, mas porque calhou de encontrar uma ideia que confirme os sentimentos anti- ou pró-governamentais que já existiam em sua mente.

Suspeito que um processo semelhante ocorra com as famigeradas pulseiras Power Balance. Na seção de informações do site que as vende, seus fabricantes alegam que os hologramas especiais foram criados seguindo “as ideologias orientais sobre energias” (sic) e que, embora não possam provar que as pulseiras tenham qualquer espécie de benefício para a saúde (trecho, aliás, que foram obrigados a acrescentar pelo governo australiano), recomendam a seus usuários que decidam baseados em suas experiências pessoais. Ou seja, se o comprador estiver predisposto a acreditar que um holograma adesivo desenhado “de acordo com filosofias orientais” fará bem à sua saúde, bem, provavelmente ele vai comprar e usar o tal holograma. Se vai funcionar mesmo é outra história (dica: não vai).

Isso é o que se costuma chamar de viés de confirmação: nossa tendência a aceitar como corretas teorias, ideias, ideologias que reafirmem aquilo em que já acreditamos. É preciso ter um cuidado todo especial para filtrar essas ideias mais simpáticas. Dá trabalho e é muitas vezes desagradável questionar ideias que nos são confortáveis – mas uma das formas mais eficientes de construir conhecimentos úteis.

Mais sobre esse assunto no livro Pura Picaretagem, que escrevi em parceria com o jornalista Carlos Orsi, e que será lançado no dia 20 de junho na Livraria da Travessa do Shopping Leblon às 19h. Aguardamos vocês lá!

Mapa e território

23/05/2013

Num mundo de smartphones, comunicação global quase instantânea e de fácil acesso à informação, às vezes é difícil lembrar que por trás de cada uma dessas inovações existe um longo processo de tentativa e erro, e que o caminho quase nunca é uma linha reta. Ao contrário, para cada nova descoberta científica ou aplicação tecnológica, foi preciso um longo tempo para que as ideias que as formaram viessem a amadurecer e a se concretizar. Nós, cidadãos do século XXI, talvez estejamos mal-acostumados. Temos mais informação disponível na ponta dos dedos do que somos realmente capazes de usar. Geladeiras inteligentes começam a aparecer nas casas mais abastadas. É cada vez mais difícil encontrar um aparelho qualquer que não contenha — ou não seja, em essência — um computador. As respostas a qualquer pergunta são fáceis de encontrar. Dúvidas são rapidamente substituídas por certezas prontas. Por tudo isso é difícil entender que às vezes até mesmo a ciência pode cometer erros factuais.

(more…)

Picaretagens Quânticas

21/05/2013

econvite-pura-picaretagem E chegou o dia!

Ao reabrir o blog eu disse que muitas novidades vinham por aí. Eu me orgulho em apresentar a primeira e talvez maior delas: meu primeiro livro publicado, escrito em parceria com o jornalista paulista Carlos Orsi. Em Pura Picaretagem tratamos de explicar o que é essa tal de física quântica — como nasceu, por que nasceu, o que ela diz e por que não é tão misteriosa quanto alguns dizem. E mais, explicamos porque a física quântica de verdade não tem nada a ver com os embustes que se vê por aí em livros e palestras de auto-ajuda.

O mundo está cheio de “Picaretas Quânticos”, pretensos especialistas que adoram usar jargão científico para confundir o cidadão leigo. Daí aparecerem buzzwords tais como “ativismo quântico”, “cura quântica” e tantas outras bobagens. Quem nunca ouviu um amigo ou parente, ou nunca assistiu um vídeo na internet em que um desses picaretas afirma que “a física quântica provou a existência da alma”, ou “a física quântica é o segredo por trás do pensamento positivo”. No livro, Carlos e eu mostramos o arcabouço científico que levou à criação da física quântica de verdade e exploramos algumas de suas consequências para mostrar que sim, esse ramo da ciência pode ser contra-intuitivo, mas não é nenhum bicho de sete cabeças.

Pura Picaretagem nasceu de conversas online com Carlos Orsi, que na época era blogueiro de ciências do jornal O Estado de São Paulo. Em 2010 ele escreveu este artigo, em que tratava justamente desses temas. Na ocasião, o Brasil estava para receber a visita de Masaru Emoto, o famigerado proponente da “teoria” da memória emotiva da água. Em comentários com Carlos via twitter e mensagens pessoais, a ideia para o livro surgiu, e decidimos investir nela. Graças a um contato do Carlos com , conseguimos um acordo com a editora LeYa (a mesma que publica Guerra dos Tronos no Brasil, olha que chique!) e a bola começou a rolar. O que se seguiu foram três anos de pesquisa, conferências via skype (eu nunca tinha encontrado o Carlos ao vivo, só o conheceria em pessoa por ocasião do lançamento do seu O Livro dos Milagres pela Vieira & Lent, aqui no Rio) e muito trabalho para produzir, revisar e aguardar o processo editorial do livro. De lá para cá Carlos deixou o Estadão (para o prejuízo do jornal, eu acho!), mas mantém um blog constantemente atualizado cuja leitura regular eu mais que recomendo.

Eu sinceramente espero que Pura Picaretagem seja o primeiro de muitos livros — ideias não faltam — nessa senda de obras de ceticismo e divulgação científica. O evento de lançamento será na Livraria da Travessa do Shopping Leblon aqui no Rio de Janeiro, dia 20 de junho, às 19h. Cliquem no convite virtual abaixo para serem levados à página de Facebook da festa. Aguardamos vocês por lá!

Evento de lançamento de "Pura Picaretagem". Apareça!