Posts Tagged ‘Rio de Janeiro’

Niterói

08/04/2010

Antes eu comentei a desgraça das chuvas através da perspectiva de um morador da cidade do Rio de Janeiro que conhece melhor os pontos críticos daqui. Procurei fazer uma crítica mais técnica. Mas há tantos — tantos — outros ângulos por abordar nesta tragédia anunciada, que ter apenas um olhar distanciado me parece pouco.

Assim, eu recomendo fortemente a leitura do artigo de hoje no blog da Traça Falante. E pense bem no que ela escreveu na próxima vez que alguém disser que é fácil remover alguém de uma área de risco, ou que só mora lá gente que não tem noção. Problemas assim são geralmente muito mais complexos do que aparentam.

Obrigado, Ana.

Anúncios

Chuva

07/04/2010

Se você não está isolado do mundo, deve ter visto que o Rio de Janeiro está debaixo d’água desde o final da tarde de segunda-feira. A foto ao lado é da Praça da Bandeira, tradicional ponto crítico de enchentes na cidade desde sempre. Agora, 08h35 do dia 07 de abril, chove ininterruptamente há mais de trinta horas. O alagamento em vários pontos da cidade é comum em ocasiões assim e dado que as autoridades informam o maior volume de chuva das últimas décadas, não é surpresa que o caos tenha se instalado.

Antes de qualquer análise, é preciso lembrar que a topografia do Rio não ajuda. O maciço da Tijuca corta a cidade no meio, ficando de frente para o mar. É composto de rocha com uma capa de terra por cima. Quando chove forte assim, as encostas não absorvem a água, que escorre para baixo — independente de haver ocupações ilegais. Na Zona Sul a água corre para o mar e se a maré estiver alta (como aconteceu na segunda-feira) pode haver maior acúmulo nas ruas. Nas Zonas Norte e Oeste há muitos rios e canais que recebem o escoamento do asfalto. Em toda parte o grande problema é o lixo acumulado nas ruas, que entope os bueiros e prejudica o sistema de drenagem. Não falta gente para criticar a falta de educação do povo que joga lixo nas ruas, o que é um fator importante nesta equação.

Historicamente a cidade sofre inundações catastróficas como essa duas ou três vezes por década. Com o aquecimento global e as mudanças climáticas, a tendência é que o volume de chuvas aumente e que eventos assim sejam mais freqüentes. Diante desse cenário, me parece que três medidas são óbvias:

1 – Impedir a ocupação ilegal das encostas. Como argumentei, com chuvas fortes assim não faz diferença se o morro está ocupado ou não. Mas sem construções há menos mortes quando a lama e as pedras inevitavelmente rolarem. Analogamente, rever as políticas de ocupação urbana em toda a cidade.

2 – Fazer um programa sério de educação sobre jogar o lixo nas vias públicas, com pesadas multas para quem o fizer.

3 – Talvez o mais importante e o mais difícil: repensar o sistema de drenagem em toda a cidade, talvez com a construção de piscinões subterrâneos capazes de absorver volumes de chuva superiores a 400 ou 500 mm/dia, algo como o dobro do que se observou agora .

Não adianta culpar a maré alta, lamentar a quantidade de chuva, ou dizer que a população não tem noções de cidadania. Embora tudo isso seja verdade, eventos climáticos extremos assim vão se tornar mais comuns, então é melhor que o planejamento de longo prazo seja retomado.

Porque não vou à passeata hoje

17/03/2010

Hoje é o dia da passeata na Candelária contra a emenda Ibsen Pinheiro. Como se sabe, tal emenda propõe redistribuir os royalties do petróleo dos estados produtores. Se se tratasse apenas da partilha do dinheiro do pré-sal já seria uma discussão polêmica o bastante, mas ao menos seria sobre futuros rendimentos. A emenda Ibsen propõe refazer as contas dos royalties para que sejam distribuídos por todos os estados da União. Se aprovada, o Rio de Janeiro perderá algo como sete bilhões de reais.

(more…)

Museu do Universo

15/08/2009

Hoje fui ao Planetário da Gávea visitar o Museu do Universo e assistir à sessão de cúpula das 18h. Não aparecia lá para isso há tempos e queria conferir como estavam alguns dos stands com experimentos interativos.

Logo na entrada vemos instrumentos antigos de navegação e observação do céu: a luneta, o astrolábio, a esfera armilar. Ali perto, um outro stand comparando o poder de resolução da luneta galileana com telescópios progressivamente mais modernos e potentes. Nada mau! Mas então começam as surpresas desagradáveis… a demonstração do Pêndulo de Foucault, talvez o meu experimento favorito do Museu estava quebrada. Várias outras instalações não funcionavam, ou estavam parcialmente danificadas. Faltavam lâmpadas e monitores em algumas, o áudio explicativo em quase todos os painéis, mecanismos travados, um horror. Pelas minhas contas, metade da exposição estava em manutenção. Para um museu interativo considero isso uma verdadeira catástrofe, justamente no Ano Internacional da Astronomia!

Mas foi ruim? Não, claro que não. A casa estava cheia, por um lado. Muitas crianças, muitos adultos olhando tudo com assombro e generosa curiosidade. Me peguei dando uma de instrutor explicando alguma coisa sobre satélites galileanos, espectrografia e diferenças entre as estações. Uma senhora aconselhava uma criança curiosa a não tocar em nada, e eu lhe disse que sim, era para tocar — aquele museu foi feito para ser tocado por mãos e mentes curiosas.

A sessão de cúpula das 18h foi simplesmente perfeita, por outro lado. É um tremendo impacto ver aquele céu artificial totalmente estrelado quando o nosso próprio, real, é tão poluído pelas luzes urbanas. Mesmo numa noite limpa e sem lua como hoje vejo poucas estrelas. Me faz sentir falta do céu do interior do país, e da excursão astronômica que fiz com a turma da Universidade para uma fazenda em Valença no inverno de 2004.

Exibiu-se o filme “Céu: Mito e Realidade”, que explicava como as constelações receberam seus nomes, como os povos antigos viam o céu e como nós o estudamos hoje. Estabeleceu bem como a ciência moderna difere da antiga, sem entretanto perder de vista a poesia e o maravilhamento frente ao Universo.

Tudo considerado, foi um belo passeio. Gostaria de passar lá em outra ocasião e ver a outra metade do Museu em ordem. Alô, Prefeitura! Vamos manter o Museu do Universo funcionando bem, por favor!

Acidente em Angra 2

26/05/2009

Em 15 de maio houve um acidente na Usina Nuclear de Angra 2, classificado como um “evento não usual”; um acidente classe 1 numa escala de periculosidade que vai de zero a 7. Ao que tudo indica, um funcionário esqueceu de fechar a porta enquanto limpava um equipamento na sala de descontaminação. Material radiativo circulou e contaminou 4 funcionários sem aparente gravidade. De acordo com a Eletronuclear, eles foram expostos a menos de 0.1% da dose estabelecida pelas normas de proteção.

Leia o comunicado oficial da empresa aqui.

Minha impressão, especialmente como alguém que gostaria de trabalhar lá, é que é preciso ter SEMPRE cuidado com o manejo de material radioativo. A energia nuclear é limpa e segura, desde que tratada com os procedimentos necessários!

Só espero que esse caso não vire um circo, e que as informações estejam todas corretas.