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Júpiter em oposição e Sky Maps

20/08/2009

Uma rapidinha: Júpiter atingiu o máximo da oposição desde 14 de agosto. Isso significa que ele está diretamente “atrás” da Terra em relação ao Sol, e por isso mesmo, um pouco mais brilhante que o usual. O astro tem estado alto no céu por volta das 20h na direção leste, sendo muito fácil de identificar: vai ser o objeto mais brilhante do céu, uma vez que estamos entrando na Lua Nova e que Vênus não está visível naquela. Encontra-se entre as constelações de Aquário e Capricórnio.

Quem tiver a oportunidade de observar Júpiter com uma luneta ou telescópio poderá também ver os quatro satélites galileanos – Io, Europa, Ganimedes e Calisto – aqueles que o italiano Galileu Galilei observou há exatos 400 anos e que o levaram a concluir que o modelo geocêntrico estava furado. É possível até ver algumas faixas de nuvens maiores com um telescópio pequeno!

Eu planejava aproveitar a noite de Lua Nova hoje e o fato que o Planetário da Gávea faz observações guiadas abertas ao público de terça a quinta para conferir Júpiter e o que mais eles estivessem obervando, mas o tempo fechou por aqui. Mas talvez volte a abrir até semana que vem, quando ainda vai dar para observar muita coisa boa.

Outra dica fica por conta do excelente guia de observação do céu online que é o Sky Maps. Todo mês o site publica uma carta celeste em .pdf (em várias línguas diferentes) com as efemérides e objetos mais interessantes da época. Eles estão no Twitter também, vale a pena conferir!

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Museu do Universo

15/08/2009

Hoje fui ao Planetário da Gávea visitar o Museu do Universo e assistir à sessão de cúpula das 18h. Não aparecia lá para isso há tempos e queria conferir como estavam alguns dos stands com experimentos interativos.

Logo na entrada vemos instrumentos antigos de navegação e observação do céu: a luneta, o astrolábio, a esfera armilar. Ali perto, um outro stand comparando o poder de resolução da luneta galileana com telescópios progressivamente mais modernos e potentes. Nada mau! Mas então começam as surpresas desagradáveis… a demonstração do Pêndulo de Foucault, talvez o meu experimento favorito do Museu estava quebrada. Várias outras instalações não funcionavam, ou estavam parcialmente danificadas. Faltavam lâmpadas e monitores em algumas, o áudio explicativo em quase todos os painéis, mecanismos travados, um horror. Pelas minhas contas, metade da exposição estava em manutenção. Para um museu interativo considero isso uma verdadeira catástrofe, justamente no Ano Internacional da Astronomia!

Mas foi ruim? Não, claro que não. A casa estava cheia, por um lado. Muitas crianças, muitos adultos olhando tudo com assombro e generosa curiosidade. Me peguei dando uma de instrutor explicando alguma coisa sobre satélites galileanos, espectrografia e diferenças entre as estações. Uma senhora aconselhava uma criança curiosa a não tocar em nada, e eu lhe disse que sim, era para tocar — aquele museu foi feito para ser tocado por mãos e mentes curiosas.

A sessão de cúpula das 18h foi simplesmente perfeita, por outro lado. É um tremendo impacto ver aquele céu artificial totalmente estrelado quando o nosso próprio, real, é tão poluído pelas luzes urbanas. Mesmo numa noite limpa e sem lua como hoje vejo poucas estrelas. Me faz sentir falta do céu do interior do país, e da excursão astronômica que fiz com a turma da Universidade para uma fazenda em Valença no inverno de 2004.

Exibiu-se o filme “Céu: Mito e Realidade”, que explicava como as constelações receberam seus nomes, como os povos antigos viam o céu e como nós o estudamos hoje. Estabeleceu bem como a ciência moderna difere da antiga, sem entretanto perder de vista a poesia e o maravilhamento frente ao Universo.

Tudo considerado, foi um belo passeio. Gostaria de passar lá em outra ocasião e ver a outra metade do Museu em ordem. Alô, Prefeitura! Vamos manter o Museu do Universo funcionando bem, por favor!