Posts Tagged ‘Física’

Picaretagens Quânticas

21/05/2013

econvite-pura-picaretagem E chegou o dia!

Ao reabrir o blog eu disse que muitas novidades vinham por aí. Eu me orgulho em apresentar a primeira e talvez maior delas: meu primeiro livro publicado, escrito em parceria com o jornalista paulista Carlos Orsi. Em Pura Picaretagem tratamos de explicar o que é essa tal de física quântica — como nasceu, por que nasceu, o que ela diz e por que não é tão misteriosa quanto alguns dizem. E mais, explicamos porque a física quântica de verdade não tem nada a ver com os embustes que se vê por aí em livros e palestras de auto-ajuda.

O mundo está cheio de “Picaretas Quânticos”, pretensos especialistas que adoram usar jargão científico para confundir o cidadão leigo. Daí aparecerem buzzwords tais como “ativismo quântico”, “cura quântica” e tantas outras bobagens. Quem nunca ouviu um amigo ou parente, ou nunca assistiu um vídeo na internet em que um desses picaretas afirma que “a física quântica provou a existência da alma”, ou “a física quântica é o segredo por trás do pensamento positivo”. No livro, Carlos e eu mostramos o arcabouço científico que levou à criação da física quântica de verdade e exploramos algumas de suas consequências para mostrar que sim, esse ramo da ciência pode ser contra-intuitivo, mas não é nenhum bicho de sete cabeças.

Pura Picaretagem nasceu de conversas online com Carlos Orsi, que na época era blogueiro de ciências do jornal O Estado de São Paulo. Em 2010 ele escreveu este artigo, em que tratava justamente desses temas. Na ocasião, o Brasil estava para receber a visita de Masaru Emoto, o famigerado proponente da “teoria” da memória emotiva da água. Em comentários com Carlos via twitter e mensagens pessoais, a ideia para o livro surgiu, e decidimos investir nela. Graças a um contato do Carlos com , conseguimos um acordo com a editora LeYa (a mesma que publica Guerra dos Tronos no Brasil, olha que chique!) e a bola começou a rolar. O que se seguiu foram três anos de pesquisa, conferências via skype (eu nunca tinha encontrado o Carlos ao vivo, só o conheceria em pessoa por ocasião do lançamento do seu O Livro dos Milagres pela Vieira & Lent, aqui no Rio) e muito trabalho para produzir, revisar e aguardar o processo editorial do livro. De lá para cá Carlos deixou o Estadão (para o prejuízo do jornal, eu acho!), mas mantém um blog constantemente atualizado cuja leitura regular eu mais que recomendo.

Eu sinceramente espero que Pura Picaretagem seja o primeiro de muitos livros — ideias não faltam — nessa senda de obras de ceticismo e divulgação científica. O evento de lançamento será na Livraria da Travessa do Shopping Leblon aqui no Rio de Janeiro, dia 20 de junho, às 19h. Cliquem no convite virtual abaixo para serem levados à página de Facebook da festa. Aguardamos vocês por lá!

Evento de lançamento de "Pura Picaretagem". Apareça!

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Quatro Nobres Verdades

06/12/2010

0 – Você é obrigado a jogar.

1 – Você não pode ganhar.

2 – Você não pode empatar.

3 – Você não pode sequer sair do jogo.

Não, não se trata de alguma filosofia pessimista. As quatro leis acima são versões bem-humoradas e profissionalmente auto-depreciativas das famosas Leis da Termodinâmica. Mas por que elas pintam um panorama tão depressivo de nossa condição?
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Por quês em série

09/11/2010

Outro dia estava assistindo a uma série de vídeos muito interessantes no youtube — uma entrevista com Richard P. Feynman, um dos mais geniais físicos do século XX. Ele falava um bocado sobre a física de coisas cotidianas e como era divertido pensar sobre as leis e princípios fundamentais por trás de tais fenômenos. Um dos vídeos me chamou a atenção, quando Feynman fala sobre ímãs e magnetismo. Assistam depois do corte:
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Pergunte a um Físico — Quantização da Gravidade

09/08/2010

PixelxD me pergunta pelo formspring:

Pela teoria da relatividade a gravidade é a distorção do espaço-tempo certo? Porque os físicos sem enroscam tanto com a força gravitacional na teoria unificada? A força gravitacional não deixa de existir se considerarmos a distorção do espaço-tempo?

Vamos por partes:

A Teoria da Relatividade Geral de Einstein nos diz que a geometria do espaço-tempo equivale à quantidade de energia e momento contida nele. Além disso, as propriedades gravitacionais desse espaço-tempo correspondem à um movimento retilíneo naquela geometria curva.

Trocando em miúdos, isso significa que a gravidade vai depender da quantidade de massa e energia existentes; e que coisas como uma órbita, uma queda etc. podem ser pensadas como uma trajetória inercial na curvatura do espaço-tempo local. A gravidade, portanto, não deixa de existir — seus efeitos são apenas descritos de uma forma que não necessitem apelar à não menos misteriosa “ação à distância” proposta por Newton.

Isso posto, as dificuldades para quantizar a Gravidade e descrevê-la num modelo unificado com as outras forças são muitas.

Primeiro, a Gravidade opera numa escala bem diferente das outras — seus efeitos são sentidos no mundo do “muito grande”, ao passo que as outras ficam no limite quântico. Segundo, e talvez mais importante, as interações de um teórico quantum gravitacional são afetadas pelo espaço-tempo e o afetam por sua vez, criando uma maçaroca matemática não-linear de difícil resolução. As equações que as descrevem divergem para o infinito muito facilmente e eliminar esses infinitos é uma tarefa muito difícil.

Mas nem tudo está perdido. Tentativas continuam sendo feitas para tentar responder a esta pergunta: a Teoria das Cordas procura unificar a Gravidade com as outras forças; o Loop Quântico Gravitacional deseja apenas quantizar a Gravidade sem uni-la com as outras 3. E tem pelo menos um maluco holandês que diz que a Gravidade é uma ilusão dos sentidos; e que na verdade surge como uma conseqüência das leis da Termodinâmica…

Quem tem razão? Não sei. Quem viver, verá :-)

Para que serve o LHC?

16/07/2010

Ontem uma pergunta tão interessante apareceu no meu Formspring (“Pergunte a um Físico“) que não resisti à tentação de respondê-la aqui, onde poderia desenvolver melhor o assunto.

Ei-la:

“Quais as mais loucas possibilidades de grandes descobertas científicas que o Grande Colisor de Hadrons pode oferecer? Portais para realidades paralelas? Antimatéria sci-fi ? Fusão nuclear? Viagem no tempo? Desintegração?”

Obrigado, Cláudio!

Bem, vamos primeiro falar o que o LHC não vai fazer. Não veremos portais para realidades paralelas, nem buracos negros engolindo o planeta, nem viagem no tempo. Por que não? Vamos dar uma olhada no que o LHC realmente faz para ter uma ideia.

O Grande Colisor de Hádrons, LHC na sigla em inglês, é um acelerador de partículas – ele acelera feixes de partículas até quase a velocidade da luz e os faz colidir. A energia resultante dessa colisão (da ordem de 14 TeV quando o aparato estiver a plena potência) é próxima aos níveis que existiam no Universo primitivo, relativamente pouco tempo depois do Big Bang. Isso permite aos cientistas observarem as condições existentes naquela época, o que inclui o comportamento das forças fundamentais e a interação das partículas com a estrutura do espaço-tempo.

Espera-se que o LHC lance alguma luz em questões fundamentais, como por exemplo: a quebra de simetria da força eletrofraca é o mecanismo responsável para a aparição de partículas com massa? Existiu uma única força unificada que mais tarde deu origens às demais forças? A Gravidade pode ser quantizada? Por que a Gravidade é tão mais fraca que as demais forças? Será que isso tem alguma coisa a ver com o Universo ter dimensões extras, comprimidas numa escala submicroscópica? Aliás, tais dimensões extras existem mesmo?

Algumas pessoas não compreendem ou não aceitam que tanto dinheiro seja gasto num aparato tão complexo para se dirigir a questões tão “distantes” do cotidiano. O LHC já custou cerca de 9 bilhões de dólares, dinheiro que o senso comum diz que seria melhor aplicado construindo hospitais, estradas, etc. Tolice! Primeiro, porque os gastos militares são ordens de grandeza maiores. O custo total do projeto do bombardeiro stealth B-2, por exemplo, foi superior a 40 bilhões de dólares, enquanto que cada unidade custa quase 1 bilhão (fonte). Se o público aceita gastos desta magnitude para UM modelo de avião militar, porque deveria achar ruim um gasto muito menor para fins de conhecimento e pesquisa pacífica? E mesmo que o LHC não veja a encontrar o Bóson de Higgs e outros bichos ainda assim o gasto terá sido proveitoso, pois indicará quais linhas de pesquisa devem ser descartadas e quais ainda valem a pena ser perseguidas.

É um dos maiores empreendimentos científicos da humanidade e algo de que todos nós, como espécie deveríamos nos orgulhar.

Provas unificadas

05/04/2010

Ocupado com alguns estudos, acabei esquecendo de comentar uma notícia que chegou até mim na quinta-feira: as provas de admissão aos programas de pós-graduação no estado do Rio de Janeiro serão unificadas a partir de 2010. O anúncio oficial foi feito na página do CBPF.

Não sei ao certo ainda do que pensar disso. A ideia parece muito boa, não apenas pelo aspecto de economia de tempo e recursos que um processo unificado representa, mas também pelo fato que talvez isso atraia mais gente para o processo de seleção. A UERJ e, segundo ouvi, a UFRJ, encontravam dificuldades para preencher todas as vagas oferecidas por ano. Um professor da Federal me disse que o instituto andava buscando candidatos entre as Engenharias, para se ter uma ideia. Afinal, com uma única prova, o aluno agora não precisa planejar sua agenda entre três ou quatro dias de avaliação diferentes em diferentes instituições.

Me chama a atenção o conteúdo das provas, que consistirá em Física Básica e uma questão de Mecânica Quântica. A intenção parece ser de se concentrar mais nos aspectos fundamentais da graduação e menos nas matérias mais avançadas. Por comparação, as provas de Mestrado e Doutorado tradicionalmente tinham questões de Física Estatística, Eletromagnetismo, Mecânica Clássica e Mecânica Quântica.

Cada instituição, entretanto, continuará responsável pela elaboração dos editais e pelos critérios de avaliação. Na prática, isso deve significar que a entrevista e a análise de currículo devem contar muito mais do que já contam para a admissão, visto que a prova parece mais fácil.

Meu questionamento é todo esse: a prova unificada (não obstante o conteúdo cobrado) é uma ótima ideia, mas para quê se dar todo esse trabalho se no final o que conta mesmo é a entrevista? Melhor abolir a prova de uma vez.

Energia Escura no CBPF

25/05/2009

Graças ao Luiz Felipe fiquei sabendo que esta semana teremos uma série de palestras no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas – CBPF – sobre Energia e Matéria Escuras. As palestras fazem parte do projeto Dark Matter Survey e são dirigidas ao público leigo. Uma boa oportunidade para conhecer um pouco mais sobre o que está na fronteira da Física.

As palestras (em inglês com tradução simultânea) podem ser acompanhadas a partir das 18h30 no auditório do CBPF, que fica na rua Xavier Sigaud, 150 em Botafogo, ou pela internet no site do DES-Brazil. Escrevi para a organização do evento perguntando se só poderíamos acompanhar ao vivo ou se as apresentações seriam deixadas em arquivo depois e me disseram que a idéia é disponibilizar para assistir a qualquer momento.

Abaixo segue a programação completa da semana:

25/05 – Ravi Sheth, Universidade da Pensilvânia: “A Matéria Escura”

26/05 – Joshua Frieman, Universidade de Chicago: “Supernovas e a Energia Escura”

27/05 – Timothy McKay, Universidade de Michigan: “Os Aglomerados de Galáxias e a Energia Escura”

28/05 – Bhuvnesh Jain, Universidade da Pensilvânia: “As Lentes Gravitacionais, a Matéria Escura e a Energia Escura”

29/05 – Enrique Gastañaga, Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha: “A Distribuição de Galáxias no Universo como Teste para a Energia Escura”

Vale a pena conferir! Noutra ocasião, assim que a virose deixar, eu escrevo um pouco mais sobre o tema.

Da curiosidade infantil

22/05/2009

Já repararam como as crianças têm perguntas interessantíssimas? Especialmente as menores, ainda na fase de descobrir o mundo, costumam perguntar muitas coisas que a gente nem imagina, ou que viu na escola faz tempo e já esqueceu. Adriana Calcanhoto tem uma música sobre isso que eu acho muito legal, por ilustrar a naturalidade com que essas questões são feitas.

“Mãe, por que a gente vai pra frente quando o ônibus freia?”, escutou uma colega minha hoje do filho de cinco anos. “Por causa do princípio da inércia”, respondeu corretamente ela, sem entretanto saber entrar em maiores detalhes. Vou tentar ajudar um pouco :-)

Tudo no mundo tem uma determinada quantidade de movimento, que é conservada. Ou seja, tudo no mundo “gosta” de ficar parado ou andando, exatamente do jeito que está!

Mudar essa quantidade de movimento é difícil – requer a aplicação de uma força. Por que é mais fácil empurrar um carrinho de brinquedo do que um carro de verdade? Porque a quantidade de movimento depende da massa, ou seja, da quantidade de matéria de que é feito um determinado corpo. O carrinho de brinquedo tem uma massa pequena comparada com o carro de verdade; então é preciso uma força pequena para mudar a quantidade de movimento do carrinho e uma força maior para mudar a quantidade de movimento do carro de verdade. É isso que a gente chama de inércia: a dificuldade de mudar de quantidade de movimento. Quanto maior a massa, maior essa dificuldade e, portanto, maior a inércia.

A quantidade de movimento também depende da velocidade. Quando um corpo que se move precisa mudar bruscamente a sua velocidade, ou a direção de sua trajetória, qualquer coisa que não esteja grudada ou amarrada nele vai conservar a quantidade de movimento que tinha antes. É por isso que durante uma freada brusca a gente vai para frente – e é por isso que usar cinto de segurança é necessário.

* * *

Às vezes eu me pergunto se perdemos essa curiosidade natural a respeito do mundo com a idade, ou se é o ritmo alucinado que a vida adulta nos impõe. Acho que é mais a segunda do que a primeira, embora eu já tenha visto quem ache que fazer perguntas desse tipo é “coisa de criança”. O que é bastante triste, já que a curiosidade a respeito de como o mundo funciona é talvez o traço evolutivo mais marcante da espécie humana. Por isso, se você é pai, ou se convive com uma criança perguntadeira, tente responder honestamente da melhor forma que puder. Não tenha medo de dizer que não sabe! Faça disso também um aprendizado e aproveite para consultar alguma fonte confiável. Desenvolva o Senso de Maravilhamento da criança que existe em você também.

Outra hora eu conto sobre uma pergunta correlata feita por uma criança grande a respeito de por que corpos de massas diferentes caem com a mesma velocidade :-)

Unidades

21/05/2009

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Algumas pessoas simplesmente não sabem análise dimensional. E depois os alunos me perguntam para que ter aula de Física se eles querem fazer Direito ou Administração.

(Agradecimentos ao Cosmic Variance e ao Fail Blog!)

Um teste

06/05/2009

Vejamos se o continua funcionando:

É, continua. Oba :-)