Posts Tagged ‘Divulgação de Ciência’

Obrigado, tio Carl

09/11/2010

Se vivo estivesse, Carl Sagan completaria 76 anos hoje. Para mim ele foi mais que um divulgador de ciência – foi um poeta, um mestre, uma fonte de inspiração. É seguro dizer que sem ele e sem sua maravilhosa série de TV, “Cosmos”, eu não teria estudado Física e nem teria tentado seguir uma carreira nas ciências. Êxito profissional não obstante, minha maneira de pensar e de enxergar o mundo depende muito das lições que aprendi com ele.

Por tudo isso e por muito mais, obrigado, tio Carl!

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Por quês em série

09/11/2010

Outro dia estava assistindo a uma série de vídeos muito interessantes no youtube — uma entrevista com Richard P. Feynman, um dos mais geniais físicos do século XX. Ele falava um bocado sobre a física de coisas cotidianas e como era divertido pensar sobre as leis e princípios fundamentais por trás de tais fenômenos. Um dos vídeos me chamou a atenção, quando Feynman fala sobre ímãs e magnetismo. Assistam depois do corte:
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Pergunte a um Físico!

14/07/2010

Após uma pequena parada para a Copa do Mundo (e eu espero começar uma moratória de futebol, assim poupando meus amigos que odeiam o Nobre Esporte Bretão do meu papo-furado!) retorno para dar dois recados.

Primeiro, finalmente tenho um computador novo, o que facilitará a produção de conteúdo por aqui. A máquina antiga estava batendo pino e não me deixava escrever direito no WordPress (ou em qualquer outro ambiente, mas isso não vem ao caso).

E segundo, resolvi abrir uma conta no formspring, através da qual pretendo responder pequenas dúvidas de Física! Procurem-me em:

http://www.formspring.me/Dbohr

É um espaço livre para especulação, discussão de temas de Física, ceticismo e até Ficção Científica, além de ser um contato mais imediato que o blog. Sintam-se livres para seguir meu perfil no twitter também (www.twitter.com/Dbohr).

Então pergunte a um Físico!

Falhas de Divulgação

20/07/2009

Ontem recebi uma prima que mora nos Estados Unidos há alguns anos. Entre uma conversa e outra, ela comentou que comprara junto com o marido uma luneta para observar o fenômeno Marciano deste agosto – o tal que já escrevi a respeito aqui, e que não vai acontecer. Ela ficou um pouco decepcionada quando contei que não ia ser bem assim; e o marido (via internet) disse que as duas filhas, de dez e doze anos, passaram muito tempo pesquisando na internet tudo sobre a aparição gigante de Marte no céu.

Carl Sagan relatou um encontro que teve certa vez com um taxista, o qual era bastante curioso acerca do mundo e da ciência e dono de um admirável entusiasmo. Infelizmente, o taxista também parecia preferir explicações fantásticas sobre essas coisas do que prestar atenção ao que a ciência tinha a dizer. Sagan tentou mostrar que as coisas não eram como ele pensava, mas que de fato havia um bocado de coisas maravilhosas ainda por descobrir. O taxista ficou um bocado desconfiado e não sabemos que fim a história teve.

A lição mais óbvia a se tirar de ambas as histórias é que teorias fantásticas têm muito mais apelo à população em geral do que a ciência de verdade. Primeiro, porque são mais imediatamente compreensíveis ao povo leigo: embora tenham não pouca dose de buzzwords e falso jargão, costumam fazer uso eficiente de analogias, o que aproxima sua mensagem do cotidiano comum. Segundo, porque a ciência de verdade é vista como algo aborrecido. Já mencionei isso por aqui algumas vezes. A falha dos profissionais de ciência em comunicar de maneira apropriada suas atividades para a população leiga é talvez o fator que mais contribui para o poder de penetração das fantasias e fraudes científicas.

Há quem diga que coisas como a fraude de Marte são inofensivas – ao menos comparadas com coisas mais sérias, tais como a campanha anti-vacinação ora em voga nos EUA e na Inglaterra. Isso é verdade apenas até certo ponto. Quantos taxistas de Sagan, quantas outras crianças entusiasmadas não existem por aí que recebem informações incorretas – mas muito mais polidas e bonitas – e que acabam desapontadas quando são expostas à ciência de verdade? O mais trágico é que a ciência de verdade É emocionante e cheia de entusiasmo; e que todo mundo – todo mundo mesmo – tem sede de conhecimento. É preciso apenas saber comunicar bem o tal Senso de Maravilhamento.

Jornalismo científico

15/05/2009

O que você pensaria de um jornal que ao divulgar notícias sobre asssuntos importantes como Economia ou Política desse informações incorretas? Ou que usasse certos termos apelativos nos cabeçalhos para chamar atenção? E se essas fossem práticas rotineiras, em vez de acidentais?

Pois é exatamente isso o que acontece nas páginas de ciência da maioria dos jornais que leio. Dois exemplos só de hoje:

Na versão eletrônica da Folha de São Paulo lemos que pesquisadores da UFRJ estão conseguindo descrever a dinâmica do emaranhamento quântico; a “fantasmagórica ação à distância” que tanto incomodava Einstein nos anos 30. Reparem na chamada para a notícia: “UFRJ explica ‘telepatia’ entre partículas”.

Ora, mas o que há de telepatia nisso? Trata-se de um efeito estranho aos nossos sentidos, tanto que Einstein o chamou de “fantasmagórico”, mas o fez por provocação, uma vez que considerava tal coisa impossível. Ao escolher um termo como “telepatia”, o jornalista acaba – talvez sem perceber – passando a idéia aos desavisados que trata-se de algo místico e impenetrável. Também acaba propagando o meme da Física Quântica como uma coisa estranha, que pode justificar inúmeras crendices.

Na versão eletrônica d’O Globo de hoje há uma belíssima seqüência de fotos do trânsito do ônibus espacial Atlantis pelo sol. Reparem na legenda: “Imagem divulgada pela NASA mostra ônibus espacial Atlantis passando, bem pequeno, pelo sol. A imagem dá uma idéia de proporção entre o Atlantis e a estrela“.

Bonito… e enganoso. A proporção é ainda mais impressionante, pois o Atlantis está em órbita da Terra (portanto bem pertinho) e o sol está muito, muito mais longe. Compare com as legendas no Flickr, publicadas pela NASA.

Preciosismo ranzinza ou apelo por um melhor trabalho de divulgação? O leitor decide.