Archive for the ‘Novidades’ Category

Rock com Ciência!

01/04/2011

Para começar a nova série de postagens de 2011 nada melhor que dar uma notícia boa: participei como convidado do programa “Rock com Ciência”, da Universidade Federal de Viçosa-MG, campus de Rio Paranaíba, falando sobre energia nuclear e radiação. São temas que sempre geram muita apreensão, especialmente após incidentes como esse agora de Fukushima, no Japão. Procurei dar um panorama geral do que é radiação e de como a energia nuclear é produzida, bem como acalmar um pouco o medo que cerca esse assunto.

O programa deve ir ao ar amanhã dia 02 de abril às 17 horas pela rádio Máximus FM em streaming e alguns dias depois estará disponível em formato de podcast. Quando isso acontecer eu abro uma outra postagem aqui para quem quiser debater mais sobre energia nuclear trocar uma ideia.

Enquanto isso, visitem o site http://www.rockcomciencia.com.br e curtam os vários episódios que já estão disponíveis! O programa sempre debate um tema científico ao som de rock and roll temático — informação e som de qualidade! Até lá!

Pergunte a um Físico!

14/07/2010

Após uma pequena parada para a Copa do Mundo (e eu espero começar uma moratória de futebol, assim poupando meus amigos que odeiam o Nobre Esporte Bretão do meu papo-furado!) retorno para dar dois recados.

Primeiro, finalmente tenho um computador novo, o que facilitará a produção de conteúdo por aqui. A máquina antiga estava batendo pino e não me deixava escrever direito no WordPress (ou em qualquer outro ambiente, mas isso não vem ao caso).

E segundo, resolvi abrir uma conta no formspring, através da qual pretendo responder pequenas dúvidas de Física! Procurem-me em:

http://www.formspring.me/Dbohr

É um espaço livre para especulação, discussão de temas de Física, ceticismo e até Ficção Científica, além de ser um contato mais imediato que o blog. Sintam-se livres para seguir meu perfil no twitter também (www.twitter.com/Dbohr).

Então pergunte a um Físico!

Parceria

06/04/2010

Conheci o Marcelo Dior através do site de podcasts de RPG e relacionados “A Terceira Terra” e do fórum correspondente, o TPK Brasil. Foi dele a ideia de meu irmão e eu criarmos um podcast de RPG de Star Wars, o que fizemos com bastante gosto.

O que eu não sabia e descobri ao longo desse convívio com Marcelo é que ele também é um entusiasta de Ficção Científica, além de ser o que se costuma chamar de “cético”. Em suma, gente muito boa ;-)

Assim, é com muito prazer que anuncio o começo de uma parceria entre O Telhado de Vidro e o blog dele, o Diário do Dior. Veja aí no canto, em “blogs parceiros” o banner com o link direto para lá. De fato, o desejo agora é expandir a rede com outros blogs de FC, divulgação científica e/ ou ceticismo. Se você mantiver ou conhecer algo assim, manda um alô para cá, ou então para minha conta no twitter.

Podcast do Aguarrás

07/09/2009

E está no ar o primeiro podcast do site Aguarrás! De periodicidade quinzenal, este primeiro traz a participação do designer, fotógrafo e artista plástico Danilo Salvego. Confiram!

A Margem

15/08/2009

A Margem Sesc SP

A Margem Sesc SP

A Companhia do Gesto está apresentando o espetáculo teatral A Margem no Sesc da Avenida Paulista. A Margem trata de dois moradores de rua num mundo particular deles próprios, que ora tangencia o “mundo real”, ora cria uma existência toda particular. Constróem suas vidas com os fragmentos das nossas, e de suas consciências. A Margem do título é tanto o não-lugar que habitam quanto uma barreira quase física a separá-los do resto do mundo.

Não há falas. O espetáculo é inteiramente gestual, embora não seja mudo. E a despeito – de fato, por causa – disso, o público é convidado a enxergar ali um reflexo distorcido de suas próprias maneiras de se portar em sociedade. É incômodo. É algo grotesco. E faz pensar, como toda arte deve fazer.

A Margem está em cartaz de sexta a domingo até 27 de setembro, sempre às 21h30.

Sempre o moto contínuo

23/06/2009

Só há três coisas certas nessa vida: a morte, os impostos e gente inventando máquinas de moto contínuo. Desde que o mundo é mundo há tentativas nesse sentido. A primeira que se tem notícia é do Báscara – aquele da equação de 2º grau – que imaginou uma roda capaz de girar eternamente… que não funcionou. Gente do calibre de Leonardo daVinci e Jean Bernoulli também propuseram mecanismos diferentes sem sucesso.

Em 2006 uma pequena empresa irlandesa chamada Steorn publicou um anúncio bombástico na revista Economist, no qual declarava ter inventado uma máquina de moto contínuo. Depois disse ainda que “oito engenheiros e cientistas com vários PhDs de universidades de prestígio” tinham verificado o funcionamento do aparelho – sem citar nomes, é claro. Já estão sentindo o cheiro de fraude? Pois é.

Depois de dois anos de vai e vem e demonstrações públicas adiadas, o painel de doze jurados independentes (escolhidos pela Steorn) para avaliar a tal máquina declarou hoje que ela não funcionava como anunciado. Que surpresa…

O divertido é ler na página da Steorn a “explicação” de como a máquina (batizada de Orbo) funciona. Em vez de uma explicação, nos é oferecida uma confusa prestidigitação retórica com uma pitada de jargão científico para tapear os não-iniciados.

Mas afinal, por que é impossível construir uma máquina de moto contínuo? Bom, por causa de uma chatice chamada Lei da Conservação da Energia. Em termos leigos, não existe almoço grátis: toda energia útil de um motor tem que vir de alguma fonte, seja ela interna ou externa. E em sistemas fechados a quantidade total de energia sempre é conservada.

Em termos não tão leigos, todas as leis de conservação são conseqüência do Teorema de Nöether, que diz que toda simetria de uma lei física qualquer implica numa quantidade conservada. A conservação de energia vem do fato que as leis físicas são simétricas no tempo – o que significa, entre outras coisas, que até onde podemos verificar, elas sempre tiveram a mesma cara. E mesmo quando encontramos um potencial dependente do tempo, como uma sistema com atrito, por exemplo, a energia que “desaparece” pode ser contabilizada adotando um sistema fechado apropriado.

Ainda assim, algumas pessoas insistem. Não poderia haver uma lei ainda por descobrir, “porque afinal ainda não sabemos TUDO” (Deus, como odeio esse argumento…), que nos possibilitaria contornar essas dificuldades? Honestamente, não. Não que seja absolutamente impossível que se descubra alguma coisa que jogue as leis de conservação por terra, mas é altamente improvável. Todas elas são muito bem amarradinhas e dependem não apenas de resultados empíricos, mas de princípios físicos e matemáticos muito bem fundamentados. Mudar a maneira como elas funcionam seria ordens de grandeza mais dramático do que a mudança de paradigma causada pela Teoria da Relatividade e pela Mecânica Quântica.

Mas isso não impede sonhadores ingênuos e o ocasional patife de tentarem.

Enxergando longe!

10/06/2009

Essa é tão incrível que eu custo a acreditar: astrônomos do Instituto Nacional de Física Nuclear (na Itália) criaram uma técnica de observação de planetas extragaláticos. A coisa envolve o fenômeno do microlenteamento gravitacional – no qual o campo gravitacional de uma estrela focaliza a luz de objetos muito distantes.

E parece que o esforço deu certo. A mesma equipe anunciou o que parece ser um planeta com seis vezes a massa de Júpiter na galáxia de Andrômeda. Andrômeda! Dois milhões de anos-luz de distância!

Confiram o paper no arxiv.org e vejam o trabalho deles. Absolutamente fantástico!

Relatividade Geral no You Tube!

04/06/2009

Mais uma vez graças ao Cosmic Variance descobri uma coisa muito legal: a Universidade de Stanford colocou no You Tube um curso introdutório de Relatividade Geral em doze aulas lecionado por Leonard Susskind. Assisti a primeira aula e metade da segunda ontem de noite. Ele começa fazendo uma revisão do modelo newtoniano da gravitação usando apenas rudimentos de cálculo vetorial e física de Ensino Médio de uma maneira tão simples que tenho certeza que a maioria de vocês conseguiria seguir mesmo que nunca tenham visto uma derivada ou uma integral na vida. A matemática nas aulas posteriores fica um bocado mais sofisticada depois, dizem os comentários (ou não seria Relatividade Geral), mas aposto como o bom professor consegue explicar em termos bem leigos. A maior parte da classe parece ser de universitários com apenas um entendimento básico de física, cálculo e geometria, aliás. Lamentavelmente é tudo em inglês sem legendas, mas a qualidade do som é muito boa.

Eu fiquei tão entusiasmado com a ideia que demorei um bocado para dormir. Relatividade, em particular a Teoria Geral, tem fama de ser um bicho de sete cabeças. De fato é uma coleção bastante sofisticada de ideias, mas ao longo da minha graduação descobri que o be-a-bá é muito simples e que depois que a gente fica craque em álgebra tensorial – que não é muito mais difícil do que cálculo com vetores e matrizes, destes que a gente aprende na escola – tudo o mais fica ridiculamente mais fácil.

De fato, a Universidade de Stanford tem um canal no You Tube dedicado a vários cursos online assim. Ainda não tive tempo de olhar tudo o que eles têm lá, o que pretendo fazer em breve, mas a ideia é maravilhosa. Claro que não se pretende com isso substituir o ensino universitário presencial (para não falar no meritório…), mas tornar tudo muito mais acessível e imediato a qualquer um. A própria Secretaria Municipal de Educação tem um ambicioso projeto de Ensino à Distância baseado em várias mídias, principalmente na internet, que eu espero poder contribuir ainda de alguma maneira. Talvez o exemplo de Stanford seja algo a ser olhado mais de perto.

Fica a dica, pessoal! Assistam as aulas do Professor Susskind e aprendam mais um pouco sobre a gravidade! Assim que terminar o curso eu pretendo comentar um pouco mais sobre o assunto em si.

Wolfram Alpha

20/05/2009

plot3dDesde anteontem está no ar o Wolfram Alpha, um ambicioso projeto dos mesmos criadores do software Mathematica. Diferente de um simples site de buscas como o Google ou de uma enciclopédia editável e aberta como a Wikipedia, o Wolfram Alpha pretende “fazer todo o conhecimento sistemático imediatamente computável para qualquer um”. Em outras palavras, pretende ser não apenas uma enciclopédia fechada e confiável, mas também uma plataforma de cálculos científicos.

Eu experimentei duas buscas simples – Rio de Janeiro e Carlos Drummond de Andrade. O sistema não reconheceu o último, mas sugeriu alguns dados sobre o sobrenome Drummond nos Estados Unidos. E depois de algumas tentativas com o input, achei o que o Wolfram tinha a dizer sobre o Aeroporto Internacional do Galeão.

Mas é na parte de Física e Matemática que a plataforma mostra a que veio. Quer informações sobre a expansão de Taylor de uma função qualquer? Tem lá. Talvez você queira fazer uma integral mais cabeluda – ela te ajuda. Ou ainda calcular o ângulo de Cerenkov de um elétron incidente de 1 GeV no vidro? Fácil.

Minha impressão é que a plataforma não está lá muito afinada ainda. Tentei fazer alguns cálculos de Física Nuclear ali e não obtive resultados, provavelmente por ter fornecido um input de forma errada. Certamente precisa ainda de alguns ajustes. De mais a mais, não é uma versão “para adultos” do Yahoo Perguntas; nem creio que alcançará tão cedo a imensa popularidade da Wikipedia. O Wolfram Alpha e a Wiki são coisas TOTALMENTE diferentes, aliás; parece que não há “artigos” ou “verbetes” no Wolfram, mas uma quantidade de informação técnica. São ferramentas diferentes para usos diferentes. Também não sei se vai ter ampla utilização mesmo nos meios acadêmicos. As Universidades já estão equipadas com o Mathematica ou softwares similares, afinal. Minha aposta é que alunos de graduação se beneficiarão mais disso do que professores ou alunos de Pós. E se os professores de Ensino Médio quiserem se aventurar, é uma ferramenta fabulosa para desenhar gráficos e enriquecer apostilas.

Carl Sagan costumava falar sobre o surgimento da Encyclopedia Galactica. Não sei se seria parecido com isso. Mas pense no que a Wikipedia com um app para o Wolfram seria capaz…!

A Incrível Máquina de Fazer Livros

13/05/2009

Leio no Guardian do Reino Unido que uma livraria instalou uma máquina de fazer livros. Isso mesmo: uma máquina parecida com uma copiadora grande que imprime e encaderna qualquer livro que esteja digitalizado em sua memória em cinco minutos, enquanto o cliente espera na fila!

Espresso Book Machine

Espresso Book Machine

A Espresso Book Machine está no mercado desde 2007, mas só agora começa a ter uma distribuição mais ampla. Há duas máquinas em livrarias do Reino Unido, e a previsão é que se espalhe por mais sessenta lojas.

A reportagem afirma – e eu concordo – que é provavelmente a maior revolução na mídia impressa desde a Bíblia de Gutenberg. Mais do que a simples praticidade de poder imprimir e encadernar títulos fora de catálogo, penso no que isso pode significar para o mercado editorial. Semana passada mesmo li no Blog da Traça Falante um relato das mazelas a que um jovem escritor tem que se submeter para ver sua obra publicada. Ora, com EBMs instaladas em birôs por aí parte do processo seria cortado.

Claro está que imprimir é apenas UMA das muitas e desagradáveis fases da publicação. Distribuir, estocar e realmente vender exemplares de livros são outras fases muito complicadas. Mas eu me pergunto se daqui a algum tempo a facilidade de acesso à mídia impressa não vai mudar as relações entre autor, editora e consumidor. Não é preciso muito para imaginar um autor estabelecendo um site, anunciando trechos de suas obras, imprimindo e vendendo diretamente ao leitor, mais ou menos como já acontece no mercado de música.

E além de tudo isso ficou a vontade de ter US$175 mil para botar uma EBM dessas lá em casa…!