Archive for the ‘Astronomia’ Category

Inverno 2011

21/06/2011

Em 2009 escrevi isto aqui, comentando sobre as propriedades do Solstício e sobre como o Inverno é minha estação favorita. Não obstante o fato que a estação começa um pouco quente para o meu gosto…

Mas espere um minuto. Começar? Por que, exatamente, dizemos que o Inverno começa hoje às 14:16, hora de Brasília?

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Prioridades para refletir

02/05/2011

Ainda estava digerindo o recente anúncio do fim do Projeto SETI quando a notícia do assassinato de Osama Bin Laden caiu como uma bomba nos noticiários de hoje. Isso e as recentes ações na Líbia e em inúmeras outras frentes de combate me puseram a pensar em como somos imediatistas em nossas prioridades.

Claro, não sou ingênuo a ponto de dizer que a caçada ao terrorista mais procurado do mundo não deva ser prioridade do governo dos EUA. Ou que cortes no orçamento não devam ser feitos para evitar uma nova crise financeira global. Mas considerem o seguinte: por uma fração minúscula do que se gasta com armamentos nas guerras do Ocidente, poderíamos manter o SETI funcionando por um ano. Confiram uma tabela comparativa feita pelo blog Microcosmologist e republicada pelo Bad Astronomer:
http://www.microcosmologist.com/blog/?p=769

Imagino que se possa argumentar que construir antenas para escutar ETs é algo muito menos importante do que construir hospitais, pagar a manutenção de estradas e, digamos, lançar bombas na cabeça de inimigos do mundo Ocidental. Junte-se a isso a falta de vontade de retomar a exploração do Universo (em missões tripuladas ou não) e o que temos é um grande conjunto de vozes que clamam pela resolução dos “problemas de verdade aqui na Terra” do que “ficar olhando para o céu”.

Entretanto eu creio que isso é uma miopia atroz. Sempre vai haver prioridades imediatas aqui na Terra, o que não quer dizer que devamos negligenciar a exploração espacial (ou, para citar um exemplo brasileiro, cortar o orçamento do Ensino Superior público). Este planeta não vai nos abrigar para sempre, nem os seus recursos durarão para sempre para que continuemos consumindo no ritmo desenfreado de hoje. E mesmo que consigamos nos acertar quanto ao desenvolvimento sustentável nas próximas décadas, o que francamente duvido, a estatística mostra que uma catástrofe cósmica ainda pode acontecer: um asteróide, um ciclo de tempestades magnéticas solares mais fortes, ou qualquer outra coisa que possa ameaçar seriamente toda a nossa espécie.

A Terra é bonita e confortável. Explorar o espaço é perigoso, caro, extremamente difícil e demorado. Mas se em algum momento de nossa história não tomarmos a decisão de arriscar um lance difícil e colonizar outros mundos, este planeta será o túmulo da Humanidade, assim como foi seu berço.

“The universe is probably littered with the one-planet graves of cultures which made the sensible economic decision that there’s no good reason to go into space–each discovered, studied, and remembered by the ones who made the irrational decision.”
-Randall Munroe, autor da tirinha acima.

Obrigado, tio Carl

09/11/2010

Se vivo estivesse, Carl Sagan completaria 76 anos hoje. Para mim ele foi mais que um divulgador de ciência – foi um poeta, um mestre, uma fonte de inspiração. É seguro dizer que sem ele e sem sua maravilhosa série de TV, “Cosmos”, eu não teria estudado Física e nem teria tentado seguir uma carreira nas ciências. Êxito profissional não obstante, minha maneira de pensar e de enxergar o mundo depende muito das lições que aprendi com ele.

Por tudo isso e por muito mais, obrigado, tio Carl!

Estações e cultura

08/11/2010

Discutir certas coisas como Horário de Verão e estações do ano com minha mulher é frustrante às vezes. Ela nasceu em Belém do Pará, bem perto da linha do Equador, e lá a variação nos horários de luz solar ao longo do ano é muito pequena. Não existem “estações do ano” bem definidas; de fato, os meses que nós aqui no Sudeste chamamos de verão são os de “inverno” para eles, porque chove mais e por mais tempo.

O ritmo cotidiano dela parece ser ditado pelas horas de luz solar: ela acorda com o sol nascendo e sente sono umas quatro ou cinco horas depois que ele se põe. Por isso mesmo ela está bastante confortável com o atual horário de verão a que estamos submetidos, pois diz que é uma forma do Homem “corrigir a natureza”. Ela fala isso metade troçando comigo, porque sabe que eu pego pilha fácil; e metade a sério. E o faz porque veio de uma cultura que associa fortemente luz solar a ciclos estáveis, sensação de calor com pouca chuva à ideia de “verão” e sensação de pouco calor com mais chuva à ideia de “inverno”.

Conforme eu já expliquei algumas vezes, as estações do ano são fenômenos puramente astronômicos: a Terra se movimenta ao redor do Sol e seu eixo de rotação inclinado faz com que atravesse quatro momentos muito específicos no ano, dois em que a luz do sol ilumina sua superfície bem “de frente” em toda parte (i.é., o sol passa pelo equador celeste) e dois em que a posição do sol no céu atinge pontos máximos na esfera celeste. Esses momentos marcam os pontos divisórios entre as estações do ano e por isso podem ser calculados com precisão de frações de segundo.

O microclima local em cada região, por sua vez, depende sim da intensidade da radiação solar (a qual por sua vez depende da estação do ano), mas depende bastante também das condições geográficas, hidrológicas e atmosféricas da vizinhança. Este ano, por exemplo, o fenômeno La Niña tem ocasionado a entrada de mais frentes frias do Sudeste até o Nordeste do país e com isso temos a sensação de uma Primavera bem mais amena que em anos recentes (eu estou adorando). De fato, nos últimos anos o clima parece tão esquisito que o calor leva mais um mês, um mês e meio a mais para ir embora e o frio se alonga até meados de outubro. Para minha mulher, isso significa que as estações do ano estão se atrasando — até as árvores sabem disso ao florescer mais tarde. Para mim e para a Astronomia, entretanto, estações do ano são coisas muito diferentes de calor e frio, que dependem muito mais desses fatores locais — e porque não dizer, da cultura em que nascemos.

Mas vá explicar isso para a atriz que adora me colocar pilha!

Primavera

22/09/2009

Hoje às 18h18 (hora de Brasília) começa a Primavera. Às vezes as pessoas me perguntam como é possível determinar o começo exato de uma estação. Afinal, se a Primavera é quando as árvores começam a florir, ou quando as cigarras começam a cantar, será que ela não começa em dias diferentes?

Não sei sobre flores e cigarras, a não ser que esses dependem mais de fatores climáticos. Mas a determinação do tempo das estações vem, é claro, da Astronomia!

Como se sabe, a Terra tem dois movimentos principais. O de rotação, de período de 24 horas, que é o responsável por termos dias e noites; e o de translação, no qual a Terra gira em torno do sol ao longo de um ano. A translação define o plano da órbita do nosso planeta, o qual recebe o nome de eclíptica.

Observando do solo, o céu parece uma esfera que cobre nossas cabeças. É possível estender esse plano da eclíptica até essa esfera imaginária e obter uma linha – a linha da eclíptica – que cruza o céu.

Sabe-se também que o eixo de rotação da Terra é inclinado em cerca de 23º26′ em relação ao plano da eclíptica. Podemos definir, então, uma outra linha imaginária chamada de equador celeste, que é simplesmente a projeção da nossa linha do Equador até a esfera celeste. Vejam na figura abaixo, cortesia da Wikipedia:

O equador celeste é a linha branca e a eclíptica é a linha vermelha

O equador celeste é a linha branca e a eclíptica é a linha vermelha

Ora, acontece que a linha da eclíptica também define o caminho pelo qual o sol aparenta se deslocar ao longo do ano entre dias consecutivos à mesma hora. Ou seja, se medirmos a posição do sol no céu ao longo de várias semanas sempre à mesma hora veremos que a posição dele varia, percorrendo a linha da eclíptica! Em metade do ano vemos o sol ficar gradativamente mais baixo no céu, enquanto na outra metade o sol fica gradativamente mais alto. Em dois momentos no ano a linha da eclíptica cruza a linha do equador celeste – exatamente no meio dos períodos de máxima e mínima altura do sol. Quando essa intersecção acontece temos um Equinócio, palavra latina que significa “noite igual”. Isso porque durante os Equinócios a duração do dia e da noite é mais ou menos a mesma para o mundo inteiro (embora o mais correto é dizer que a noite tem a mesma duração para latitudes +L e -L ao norte e ao sul, respectivamente. Mas isso é detalhe).

No Hemisfério Sul o Equinócio de Setembro define a entrada da Primavera. Às 18h18 de hoje o sol vai cruzar o equador celeste e depois vai ficar cada vez mais alto no céu até atingir o ápice em 21 de dezembro, quando então vai voltar a baixar.

Daqui a três meses eu volto a falar das estações e um pouco mais sobre coordenadas celestes. Até lá, então, e vamos curtir a floração dos ipês pela cidade!

O Calendário Maia

26/08/2009

Quem já foi ao cinema recentemente ou visita sites como You Tube e o Omelete talvez já tenha ouvido falar do mais novo filme-catástrofe a ser cometido em breve num cinema perto de você: 2012. Do mesmo diretor de hits como Independence Day e o Dia Depois de Amanhã, este filme tratará da destruição do mundo tal como prevista pelos antigos Maias em seu calendário.

Mas será que a antiga sabedoria mesoamericana tem mesmo algo a dizer sobre essa data fatídica? Leia mais logo abaixo da linha de corte!

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Só para lembrar

24/08/2009

… Marte NÃO será visto do tamanho da Lua em 27 de agosto!

Clique para ler a pérola abaixo e lembre-se: isso NÃO É VERDADE. Especialmente a parte da previsão dos astrônomos maias! Conte sempre com o seu Telhado amigo e seus clubes de Astronomia locais para notícias de verdade!

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Júpiter em oposição e Sky Maps

20/08/2009

Uma rapidinha: Júpiter atingiu o máximo da oposição desde 14 de agosto. Isso significa que ele está diretamente “atrás” da Terra em relação ao Sol, e por isso mesmo, um pouco mais brilhante que o usual. O astro tem estado alto no céu por volta das 20h na direção leste, sendo muito fácil de identificar: vai ser o objeto mais brilhante do céu, uma vez que estamos entrando na Lua Nova e que Vênus não está visível naquela. Encontra-se entre as constelações de Aquário e Capricórnio.

Quem tiver a oportunidade de observar Júpiter com uma luneta ou telescópio poderá também ver os quatro satélites galileanos – Io, Europa, Ganimedes e Calisto – aqueles que o italiano Galileu Galilei observou há exatos 400 anos e que o levaram a concluir que o modelo geocêntrico estava furado. É possível até ver algumas faixas de nuvens maiores com um telescópio pequeno!

Eu planejava aproveitar a noite de Lua Nova hoje e o fato que o Planetário da Gávea faz observações guiadas abertas ao público de terça a quinta para conferir Júpiter e o que mais eles estivessem obervando, mas o tempo fechou por aqui. Mas talvez volte a abrir até semana que vem, quando ainda vai dar para observar muita coisa boa.

Outra dica fica por conta do excelente guia de observação do céu online que é o Sky Maps. Todo mês o site publica uma carta celeste em .pdf (em várias línguas diferentes) com as efemérides e objetos mais interessantes da época. Eles estão no Twitter também, vale a pena conferir!

Nascer da Terra

21/07/2009

Há exatos 40 anos.

Essa talvez seja a mais bela imagem da missão Apollo 11. A mim lembra-me que a exploração espacial daqui para frente precisa ser um esforço coletivo, de um planeta unido.

É o nosso destino. E a nossa esperança.

Meu pai, a Apollo 11 e a Física

20/07/2009

Phil Plait escreveu algo parecido hoje, e como é algo que ressoa muito forte em mim também, eis o meu relato de como a missão lendária da Apollo impactou minha vida.

Desde que me lembro de ter começado a ler eu folheava uma edição especial de capa dura da revista Veja comentando a corrida espacial que culminou na missão da Apollo 11. Era um livro; parecido com a excelente coleção científica da Time-Life, mais ou menos da mesma época. Além disso, meu pai também guardava a edição do Jornal do Brasil do dia do pouso da Águia. Ele falava com orgulho e assombro e de como ficou grudado na TV, apesar de uma febre muito forte. Aquilo tudo me impressionava tanto que todos os anos em julho eu lia o jornal e o livro-revista da Veja para comemorar o feito.

Nos mudamos e eu infelizmente não sei o que foi feito daquela edição do JB. Quando eu era criança ele já estava se esfarelando; agora talvez nem mais exista. O livro-revista deve estar lá com meu pai em alguma de suas estantes. Só sei que aquele ritual anual me inspirou a buscar a ciência em geral e a Física em particular. Devo muito à missão da Apollo 11, e mais ainda ao meu pai, que manteve tudo isso em casa e sempre me estimulou a questionar o mundo ao nosso redor.