Conteúdo

Leio hoje no Estado de São Paulo uma entrevista em que um advogado especialista em propriedade intelectual argumenta que o conteúdo online dos grandes jornais e revistas tem que ser fechado. “Não existe almoço grátis”, diz ele, “Se queremos jornalismo de qualidade, de alguma forma isso tem de ser remunerado”. (leia a íntegra aqui).

É uma discussão ao menos tão antiga quanto o boom da internet e profusão de blogs e sites agregadores de notícia. Ganhou novo fôlego quando caiu a exigência de diploma para jornalistas e subitamente qualquer um poderia se considerar jornalista. Na época, aliás, conversava com uma colega muito preocupada em como continuar se diferenciando num mercado cada vez mais apertado.

A resposta para mim é simples: saber falar a linguagem da mídia que se usa.

Um jornal online não raro apresenta matérias resumidas, próprias para o consumo rápido pela internet, ao passo que as matérias completas estão disponíveis apenas para assinantes, o que considero uma interessante solução de compromisso. Um jornal impresso, por outro lado, tem espaço suficiente para desenvolver uma ideia e discorrer sobre ela com mais calma. Logo, como é dolorosamente óbvio, mídias diferentes requerem linguagens diferentes, por que serão lidas de maneiras diversas. Aí é que entra o bom profissional de jornalismo. Embora um diploma não seja mais obrigatório, formação ampla e bom domínio da linguagem que se quer para sua mídia é indispensável para chegar na frente da concorrência. Vejo muitos portais de notícias que não fazem mais do que traduzir (mal) press releases de outras agências; quando não apelam para o churnalismo rasteiro.

O que dizer então do raciocínio de que deve haver remuneração para os produtores de conteúdo? Bem, é óbvio que as pessoas não devem trabalhar de graça. Mas a primeira objeção que eu faço a esse raciocínio é que não são os leitores que pagam o grosso das despesas de publicação, e sim os anunciantes. Assim, se um veículo de comunicação consegue atrair anunciantes o bastante, não vejo porque ele deveria fechar completamente o seu conteúdo. Existe a questão de como anunciar pela internet sem aqueles pop-ups irritantes ou os infames quadrados em flash que poluem a tela — parei de ler O Globo online por causa deles, diga-se. Em segundo lugar, não vejo como simplesmente fechar todo o conteúdo vai fazer a remuneração do veículo aumentar.

Se eu pago zero para ler matérias resumidas online hoje, não vou querer pagar mais do zero que fazer o mesmo amanhã. Imagino que a maioria pense como eu.

Tags: , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: