Tempus fugit

O Leo é um amigo meu que atualmente mora no Canadá – Quebec, mais precisamente – e que pediu espaço para dividir conosco uma impressão que teve recentemente lá. Interessante notar que mudam os países, muda a cultura, mas certos aspectos da psiquê da gente continuam os mesmos…

Hoje, vindo para o trabalho, havia um grupo de meninas indo para o colégio. “Ahhhh…. Meninas em roupinha de colegial”, já pensarão os marmanjos.

Mas não é sobre elas que quero escrever, é sobre todas as outras mulheres, mais velhas, olhando para elas com certa inveja. O que invejam as últimas nas primeiras? A ignorância? A inexperiência? A insegurança?

Não há nada melhor que uma mulher que sabe o que quer, que tem sua vida e não depende fundamentalmente de ninguém, apesar de poder se dar ao luxo de ter um companheiro, se assim desejar. E isto é bem mais fácil de se ter aos 30 que aos 16.

Sim, é mais fácil ter a pele lisa e sedosa, e não se preocupar com rugas ou cabelos brancos, mesmo se eles ainda tardem por aparecer. Mas à que preço? Todos estes problemas somem se, ao olharmos em seus olhos, virmos a determinação, a força e a experiência adquiridas ao longo dos anos, ao ponto de não conseguirmos manter o olhar por muito tempo, envergonhados de nossas próprias fraquezas e inseguranças.

Não invejem, repito, pois vocês, mulheres-feitas, têm uma beleza que estas mulheres-meninas ainda precisarão batalhar muito, 10 anos pelo menos, para chegarem aos seus pés.

Essa reflexão do Leo me fez lembrar de quando eu estava no Ensino Médio. Todo mundo tinha uma grande vontade de parecer mais velho e mais maduro, em grande parte para atrair parceiros adequados; mas também como maneira de se auto-afirmar. E é claro que isso acabava sendo a fonte de não poucas angústias adolescentes…

Compreendo por que se possa invejar a idade alheia. Oportunidades não aproveitadas, caminhos não tomados, projeção de culpas e anseios, ou simplesmente nostalgia. Tudo isso são forças poderosas. Eu passei por algo assim não faz muito tempo quando fui num colóquio do CBPF (sobre o qual talvez comente aqui mais tarde). Mas ao fim do dia é preciso manter a cabeça no lugar e lembrar que para o bem ou para o mal, é para frente que se anda. Então é melhor fazer do futuro o melhor possível – afinal, vamos passar o resto de nossas vidas lá.

Tags: ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: