Um trabalho em progresso

Acabo de passar algumas horas muito agradáveis conversando com uma grande amiga. Cética e ateia, ela se revolta tanto quanto eu a respeito de um monte de absurdos e desatinos; alguns dos quais andamos comentando em nossos respectivos blogs. Na despedida, poderamos sobre que atitudes devem ser tomadas frente a tais desatinos: se preservamos nossa própria sanidade mental e enterramos a cabeça na areia (correndo o risco de ver a situação piorar); se nos engajamos em lutas e discussões no mais das vezes infrutíferas para pelo menos mostrar que existem outras opiniões e outros modos de pensar; e como e quando e em quanto decidir entre um extremo e outro. Não chegamos a uma resposta. Quero dizer, eu procuro me pautar pelo seguinte:

As pessoas são estúpidas.

Vou dizer de novo. As pessoas. São. Estúpidas. E digo isso sem qualquer preconceito e me incluindo nesse rol, pois somos todos os estúpidos de alguém. Isso posto, há certas formas de estupidez completamente toleráveis. Há o estúpido que não parou para pensar com calma. Há o estúpido que já pensou até demais e acha que chegou na verdade última. Há o estúpido que simplesmente não teve oportunidade, ou paciência, ou desejo de deixar de sê-lo. Há os estúpidos que mal desconfiam que sejam estúpidos (desconfio que sejam a maioria). Mas se há algum consolo nisso, é que em sua grande maioria as pessoas, estúpidas ou não, são boas. Têm elas uma medida razoável de boa vontade e não desejam ativamente machucar os outros. Se o fazem no mais das vezes é por achar que é “o melhor”. E é aqui que os problemas começam — se se tem a mais absoluta certeza que um dado curso de ação é para “o melhor”; se se aceita tal coisa acriticamente e sem medir as conseqüências ou pesar bem o que se está fazendo, ou pior, se se tem a mais pétrea certeza de que a razão está lá ou cá e não se admite a possibilidade de estar errado; então claramente se deixou o caminho da estupidez sem malícia. É contra esta estupidez que devemos lutar, e a qual devemos nos policiar.

Me tornar menos estúpido é uma luta constante, um trabalho em progresso. Ajuda muito o fato de eu conviver com outras pessoas na mesma luta. Pouco importa se são céticas, religiosas, acadêmicos, humildes ou o quê: é em dias como hoje que eu vejo como esse convívio é parte fundamental desse processo.

Uma resposta to “Um trabalho em progresso”

  1. André T. Says:

    Um amigo meu costumava dizer que não importa onde você esteja, vai sempre haver um idiota por perto pra estragar o momento – mesmo que esse idiota seja você.

    Gostei do blog :)

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