O Calendário Maia

Quem já foi ao cinema recentemente ou visita sites como You Tube e o Omelete talvez já tenha ouvido falar do mais novo filme-catástrofe a ser cometido em breve num cinema perto de você: 2012. Do mesmo diretor de hits como Independence Day e o Dia Depois de Amanhã, este filme tratará da destruição do mundo tal como prevista pelos antigos Maias em seu calendário.

Mas será que a antiga sabedoria mesoamericana tem mesmo algo a dizer sobre essa data fatídica? Leia mais logo abaixo da linha de corte!

A suposta profecia apocalíptica maia está em evidência desde pelo menos 1975, quando um cidadão de nome José Argüelles publicou um livro chamado The Transformative Vision: Reflections on the Nature and History of Human Expression. Mais tarde Argüelles expandiria seus comentários naquele livro e se tornaria um dos principais difusores do mito do apocalipse de 2012.

Mas por que tanta inquietação? O que é, de fato, o calendário maia e como ele funciona?

Bem, os maias eram astrônomos muito habilidosos. Faziam observações precisas do céu e conseguiam determinar as datas dos equinócios e solstícios com excelente precisão, embora suas ferramentas não fossem melhores que a dos gregos. Isso porque observavam os fenômenos celestes com paciente dedicação ao longo de inúmeras gerações, além de contarem com uma matemática sofisticada. Foram um dos primeiros povos a adotar o conceito do Zero, por exemplo.

Os maias tinham dois calendários que usavam para eventos cotidianos: o Haab’, com 365 dias, para eventos civis, e o religioso Tzolk’in, com 260 (20 ciclos de 13 dias). Cada dia tinha um nome específico, algo como dizermos nós que hoje é “quarta-feira, 26 de agosto”. Outra quarta-feira 26 de agosto não vai acontecer senão em 2015. Bem, para os maias, cada combinação do Haab’ com o Tzolk’in produzia dias singulares e bem mais infreqüentes que nossos dias da semana. De fato, o mínimo múltiplo comum entre 365 e 250 é 18.980 dias, o que dá aproximadamente 52 anos Haab’. Isso era um pouco maior que a expectativa de vida na época, e por isso o Calendário Cíclico bastava para a maior parte dos registros.

Para registros mais antigos ou projeções para um futuro mais distante, os maias utilizavam um esquema diferente: a Contagem Longa. Nesse esquema os dias eram contados a partir de um determinado “marco zero”, como o nosso calendário gregoriano atual. O sistema de contagem utilizado era vigesimal, ou seja, a cada vinte unidades, avançava-se para o próximo dígito na seqüência, assim como nós avançamos da casa das unidades para as dezenas e daí para as centenas e milhares cada vez que nossos marcadores decimais ultrapassam o dígito 9. Assim, um registro 0.0.0.0.5 na Contagem Longa significa 5 dias. Um registro 0.0.0.1.0 significa 20 dias. Um registro 0.0.0.2.4 significa 44 dias, e assim por diante.

A segunda casa a partir da esquerda não é totalmente vigesimal, entretanto. Para melhor facilitar a contagem dos dias em relação à duração do ano solar, os criadores da Contagem Longa determinaram que o segundo dígito avançaria apenas até 17, “zerando” em seguida ao avançar-se mais um dia. Assim, a notação 0.0.0.17.19 vale 359 dias e 0.0.1.0.0 corresponde a 360 dias.

Em seus mitos de criação, os maias acreditavam que os deuses fizeram três tentativas falhas de criar o mundo, finalmente acertando na quarta vez. Este nosso “quarto mundo” começou logo após a Contagem Longa anterior registrar uma data de 12.19.19.17.19, sendo zerada logo após isso. Registros arqueológicos e antropológicos projetam este marco zero como sendo o ano de -3114 CE (pelo calendário gregoriano). Assim sendo, dado que a data de 13.0.0.0.0 ocorre aproximadamente a cada 5125 anos solares, estamos literalmente à beira de zerar a Contagem Longa novamente, o que deve acontecer em, ou em torno de, 21 de dezembro de 2012. Prato cheio para os adeptos da Nova Era, sem dúvida! E o que dizem eles?

Não vou dedicar muito espaço para isso. A internet está cheia das mais variadas (e divertidas…) teorias de como o mundo vai acabar. Nenhuma delas, é claro, tem absolutamente nada a ver com os maias e com sua fabulosa ciência, nem com suas crenças religiosas. De fato, a moda apocalíptica de hoje em dia é uma maçaroca de referências de diferentes mitos e culturas que nada têm a ver com o modo de contar o tempo dos velhos mesoamericanos.

Tudo bobagem. O Bug do Milênio tinha mais chances de causar algum desastre. Mas certamente até 2013, autores esotéricos e estúdios de Hollywood terão lucrado um bocado de dinheiro ;-)

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10 Respostas to “O Calendário Maia”

  1. stanton Says:

    Destruição do mundo, ou no caso do RPG Shadowrun outra coisa mais interessante… http://shadowrun.wikia.com/wiki/The_Awakening :-) Só que nesse RPG estamos no final do Quinto Mundo e prestes a entrar no Sexto, pode ser que existam diferenças de interpretação do calendário?

  2. rod Says:

    parabéns pela informação!Momento curiosidade: os maias tinham um conhecimento graças aos antigos moradores “famosos gigantes”da bíblia (Gênesis 6:4), que com certeza vieram do espaço (Monte sião). É estranho, mas a própria bíblia relata que Jesus é de outro mundo (João 18:36). Qual tecnologia era usada para fazer Jesus “subir” aos Céus? (Atos 1:9) A própria “Nova Jerusalém” é uma gigantesca nave espacial (Apocalipse 21:10). valeu!

  3. Daniel Says:

    Geraldo,

    Isso do número certo dos mundos estaria descrito num dos únicos livros que restaram da época da Conquista, o Popol Vuh. Foi preservado graças a um padre maia que o copiou em caracteres latinos e a outro espanhol que não o queimou ;-)

    Rod,

    Na verdade, acredita-se que muito da cultura maia tenha vindo dos olmecas, da mesma forma que os romanos herdaram, ampliaram e difundiram muito do que aprenderam com os gregos. E os olmecas desenvolveram tudo eles mesmos.

    Os povos antigos eram tão espertos e inteligentes como nós somos hoje. Não tinham computadores, verdade, mas sempre estiveram bem equipados com a melhor ferramenta de todas — o cérebro ;-)

  4. Luiz Felipe Vasques Says:

    Como já me disseram, uma roda tem somente 360o… alguma hora, o *caldendário* acaba. ;-)

  5. Bia Says:

    Mas então, se os tais deuses ainda estiverem prestando alguma atenção ao mundo que criaram, já devem ter notado que esse também não deu lá muito certo… é, talvez já seja hora de derrubar tudo e começar de novo…
    ;)
    The 5Th (or 6Th) time is the charm!(?) :P

  6. Daniel Says:

    Olha, do jeito que as coisas estão, se os velhos deuses mesoamericanos aparecerem para destruir o mundo em 2012 eu colaboro com a primeira martelada ;-)

  7. José Vasconcellos Says:

    Isso tudo sem falar do EXAGÊÊÊÊRO em tudo isso, não é mesmo?!

    O exagero de informações falsas (essa do calendário), o exagero de matérias (a maioria pagas) sobre o fato, o exagero em cima da civilização Maia e, não posso me furtar ao comentário, o exagero no filme 2012. Vocês já viram a cúpula da Capela Sistina no filme? Deve ser umas 30 vezes maior que a original e o pior é que ela “rola” (ai meu deus do céu) ela rooollaaa e vai esmagando tudo (e todos é claro) a sua frente. E o Cristo Redentor? Deve ter uns 700 metros de altura… Nem vou falar do tamanho do porta-aviões, nem vou…

  8. Daniel Says:

    O mais legal da cena do Cristo Redentor é que a onda vem do lado da *Tijuca* :-)

  9. victor da cuanh santos Says:

    leia 14:1

  10. Daniel Bezerra Says:

    Ler 14:1 o quê?

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