Susto

Pessoal, eu não esqueci do blog. Estou muito enrolado para escrever, ocupado com trabalho e estudo – e de noite a Carina tem usado o computador até altas horas em seus projetos.

De qualquer forma, faço questão de registrar um susto que passei hoje: estava a caminho do trabalho quando meu ônibus “achou” uma bala perdida, que estourou uma das janelas superiores do carro. A uma distância de uns 40 cm da minha cabeça. O projétil saiu pelo outro lado, também estourando aquela janela. Todo mundo foi para o chão e começamos a gritar para o motorista acelerar. Me preocupei em ver se alguém estava ferido (não) e se eu mesmo estava inteiro (estava, e estou). Felizmente o motorista teve sangue frio o bastante para não desembestar, talvez provocando um acidente, nem ficar ali parado. Descemos uns 2 km à frente para trocar de carro e não aconteceu mais nada.

Ouvi no rádio depois que um policial fora baleado naquela área mais ou menos na mesma hora. Só ouvi um tiro, então deve ter sido uma arma potente.

E ecoando os comentários de amigos, há duas coisas a considerar: primeiro, que a cidade está em clima de guerra civil há muitos anos. As autoridades não gostam dessa expressão, mas é verdade. Basta ver os números e as estatísticas e comparar com conflitos armados “oficiais”, por assim dizer. Segundo, que mesmo depois de um susto desses, nós vamos trabalhar, almoçar, dormir etc. como se tal evento fosse normal. É anormal e deveríamos nos revoltar. Mas revoltar-se para quê? Cobrar de quem? Que medidas serão tomadas?

A maior tragedia é a banalidade.

EDIT: Ouço agora na CBN Local que um cabo do Bope foi baleado com 5 tiros, um dos quais o acertou. Como só ouvi um disparo, creio que foi outra ocorrência. O que é tanto mais bizarro.

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6 Respostas to “Susto”

  1. Daniel Braga Says:

    Daniel, acho que de alguma forma estamos utilizando nossos blogs como ferramenta de conscientização. Tudo o que escrevemos é em algum momento lido por alguém e nossas idéias e pontos de vista acabam sendo alvo de alguma reflexão, quer concordem ou não. Isto é positivo no que tange a criação de um processo salutar de discussão, envolvendo assim áreas variadas de nosso cotidiano.

    Espero que você esteja bem, não só fisicamente como psicológicamente. Momentos assim nos levam a refletir muito, muitas coisas, e uma delas é o próprio sentido de estar vivo.

    Concordo com suas palavras finais mas acho que estamos utilizando as armas que temos e devemos nos sentir ao menos felizardos de podermos pensar e expressar este pensamento!

    Abraços!

  2. Bia Says:

    Odeio que as pessoas que amo estejam ainda sujeitas a isso!!! Arg!!!
    Espero que um dia isso melhore.
    Beijos e fiquem bem…

  3. Renata Augusta Says:

    Que droga, amigo. Esses dias notei que você tava diferente no trabalho e não entendi. Também pudera, que susto! Vc disse tudo, é guerra civil, sim, e essas “otoridades” continuam fingindo que tá tudo muito light. Claro, eles e a família têm segurança 24 horas por dia, casa paga por nós com sistemas de proteção, enfim, nada acontece com esses graúdos. Nunca. Então eles fingem pras câmeras uma indignação que não sentem. Tudo jogo de cena. Nojo.

    Dá pra fazer barulho, claro. A sociedade civil tem que se mexer mesmo. Uma dica para nos informarmos e termos ideias de mobilização é o site Repórter de Crime, de um jornalista que tive o prazer de conhecer, o Jorge Antonio Barros. Aí vai o link:

    http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/

  4. Daniel Says:

    Amigos, obrigado pela preocupação. Estou bem, mesmo. Para falar a verdade, a ficha do susto só foi cair mesmo algumas horas depois. Nem mesmo os cacos da janela me acertaram.

    Ouvi disparos distantes na noite de sábado, acho que era a operação do Bope no Morro dos Macacos. Triste que seja sempre assim, repressão e vingança em vez de prevenção e investigação. Isso é causa e conseqüência das balas perdidas num ciclo interminável de inaptidão política.

  5. Victor Barone Says:

    Que horror. Cara, a vida da gente é algo tão frágil… você está vivo agora e, segundos depois cai morto por uma bala disparada sabe-se lá de onde e por quem… como não ser redundante ou armar-se de chavões em um momento destes? É neles que paramos para pensar em nossa pequenez.

  6. Daniel Says:

    Eu estava lendo um livro quando as janelas estouraram. É exatemente isso: eu poderia ter morrido sem sequer me dar conta. A gente lê sobre balas perdidas faz tempo e sempre tive essa compreensão racional da banalidade do fenômeno e de como somos mesmo vulneráveis. Mas ver esse terror passar tão perto é, no mínimo, algo que te faz olhar a vida de outra maneira.

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