Mudando o rumo do jogo

Ficar doente em casa é um saco mas tem a vantagem de, entre uma hora de tomar remédio e outra, te dar tempo de pensar num monte de coisas que de outra forma acabariam no fim da lista de prioridades normais.

Hoje eu estava pensando em RPGs e como via de regra está se tornando cada vez mais difícil me divertir com eles do jeito que costumava acontecer. Houve um tempo em que era simples: a gente tinha um dia mais ou menos fixo de jogo, todo mundo sabia o que seria jogado e quem iria mestrar. Chegava o tal dia, todo mundo sentava, brigava, fazia piadinhas fora de hora, reclamava que do personagem do outro, ria, levantava e ia para casa. Não parecia tão difícil.

Tínhamos tempo, é verdade, coisa que hoje em dia está cada vez mais escassa. Vida adulta requer dedicação, afinal. Mas esse nem é um problema assim tão grande, uma vez que nossos jogos ficaram cada vez melhores em termos de tramas mais elaboradas ou personagens mais interessantes. Só que na mesma medida em que a qualidade, subiu também o nível de exigência para um bom jogo e aí, creio, começaram os meus problemas.

Confesso que me deixei envolver demais por jogos cheios de detalhes. Minhas campanhas tinham escopos cada vez maiores e mais ambiciosas. E embora o resultado continuasse satisfatório, vi que estava consumindo um tempo cada vez maior de preparações para o jogo para obter a mesma satisfação. A coisa ficou absolutamente clara para mim quando percebi que estava há semanas na fase de rascunhos de uma campanha de Ficção Científica baseada em Battlestar Galactica que simplesmente não vai decolar – porque estou gastando tempo demais pensando e falando sobre isso, em vez de sentando e jogando.

Eu e meu grupo de amigos estamos experimentando um projeto chamado “Quintas de RPG”, que vai na contramão dessa tendência. A ideia aqui é que a cada semana um de nós mestra alguma coisa curta e despretensiosa para os demais. Acho que o caminho deve ser por aí. Ainda gosto de campanhas elaboradas, é claro, mas acho que vou parar de mestrá-las por enquanto e favorecer coisas cada vez menores.

Por acaso hoje seria a minha vez de mestrar, o que não vai acontecer por causa da doença. O que talvez signifique que eu é melhor me render e começar a jogar WoW de uma vez ;-)

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4 Respostas to “Mudando o rumo do jogo”

  1. Eduardo Derbli Says:

    Ficamos órfãos hoje de jogo, essa sua doença foi covarde e mesquinha com o grupo! Rá! Estimo melhoras!
    Acho que esse dilema jogos curtos e simples x jogos longos e elaborados vem sendo brutalmente vencida pelo primeiro. Não só neste grupo mas em outros de que participo percebo que é muito difícil hoje, já velhos e cansados, os jogadores conseguirem se envolver com uma trama complexa de forma ativa. É bem diferente de assistir a um seriado, por exemplo, que tanto oferece e tão pouco exige. Por outro lado, fico meio frustrado como jogador não poder observar meu personagem crescer durante o tempo. Vejo o exemplo do Laszlo Nagy: hoje tenho cada traço de personalidade, cada ambição, cada medo dele mapeado. As Quintas de RPG não permitem tanto. Ou talvez permitam, não sei, o negócio acabou de começar (bem). Sei lá. Até tava pensando em fazer um jogo, mas como a única coisa que eu tenho qualquer interesse em mestrar hoje é Star Wars, acho difícil arranjar quorum, entre o teu Corsários e o Clone Wars do Rafael, a galera deve tá meio sem saco.

  2. Eduardo Derbli Says:

    Puta merda que mensagem grande eu escrevi!

  3. Rafael Bezerra Says:

    Eduardo, não sei a galera, mas entanto tiver jogo de Star Wars eu tô jogando! Cara, tem tanta coisa diferente (e igual!) para jogar que qualquer outro cenário de SW seria perfeito!

    Como disse na última Quintas de RPG (que cobri o Daniel, aliás), não parei o Clone Wars. Só estou passando por um mid-season. Tô precisando ser jogador um pouco antes de voltar a mestrar um campanha mais densa.

    O engraçado é que o Quintas de RPG seria para suprir essa necidade, mas meu score já está Mestre 2 x Jogador 1…

  4. Daniel Says:

    Na verdade, acho que ando precisando recarregar minhas baterias de mestragem, mesmo. Mas SW Corsários – e de fato todo o projeto das Quintas de RPG – tem ajudado um BOCADO nisso.

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