Samba na Veia

Ontem assisti ao espetáculo É Samba na Veia, é Candeia. Quem me conhece sabe que música não é exatamente o meu forte. Tampouco posso dizer que sou grande conhecedor da história do samba. Assim, fui completamente no escuro conferir a história do sambista Antônio Candeia, lendária figura Portelense do Carnaval carioca.

O musical conta a vida de Mestre Candeia desde a infância, com as festas de aniversário e Natal na casa dos pais, sempre comemoradas com “feijão, samba e limão”; a virada na carreira com o campeonato da Portela em 1953 com uma inédita pontuação máxima; uma lesão na espinha que o deixa na cadeira de rodas; seu engajamento social na contramão da massificação do Carnaval e na preservação da cultura negra ao fundar a Escola de Samba Quilombo; até sua morte em 1978. A narrativa é um pouco não-linear, apresentando alguns flashbacks que ressaltam a genialidade – e o temperamento difícil – do compositor. Tal escolha para a estrutura do roteiro, aliás, não é nada original, mas funciona muito bem.

Os números musicais do espetáculo são extremamente bem executados. O elenco mostra estar à vontade enquanto canta, dança e interpreta. Cativa a platéia, que acompanha o ritmo contagiante do samba em vários momentos. Para mim o ápice do espetáculo ocorre durante a cena em que Mestre Candeia recebe Clara Nunes em casa e dá uma lição de como fazer um bom Partido Alto. Performance assombrosa de Nívea Magno como Clara Nunes, onde se vê o resultado de todos os anos que passou com o Grupo Amok.

Houve uma certa queda de produção na reta final do espetáculo. A fundação da Escola de Samba Quilombo soou um pouco panfletária, mas creio que esta foi uma intenção: Candeia realmente brigou muito para resgatar as raízes do Carnaval e não deixar que os desfiles virassem passarela de celebridades. Além disso, ele queria preservar a vitalidade do samba em meio à influências culturais, sociais e mesmo políticas da época. Seja como for, a energia continua alta e após a última cena saímos todos embalados pelo ritmo da batucada e do canto. Difícil foi sair do hall de entrada enquanto os artistas continuavam tocando!

É Samba na Veia, é Candeia está em cartaz até 31 de maio no Teatro 1 do SESC Tijuca, de sexta a domingo às 20h.

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2 Respostas to “Samba na Veia”

  1. gigi Says:

    concordo com vc!
    mto linda a peça, contagiante mesmo para quem não é super fã de samba…
    os textos no final realmente podiam ser menores, pq ficou cansativo, mas historia é mto importante e lindaaa!

  2. Daniel Says:

    Mostrei esta entrada para a Railda hoje e ela ficou bastante emocionada. Queria passar para a Lívia também, aliás. Ela fez oficina com a Companhia do Gesto, grupo da minha mulher :-)

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