A Incrível Máquina de Fazer Livros

Leio no Guardian do Reino Unido que uma livraria instalou uma máquina de fazer livros. Isso mesmo: uma máquina parecida com uma copiadora grande que imprime e encaderna qualquer livro que esteja digitalizado em sua memória em cinco minutos, enquanto o cliente espera na fila!

Espresso Book Machine

Espresso Book Machine

A Espresso Book Machine está no mercado desde 2007, mas só agora começa a ter uma distribuição mais ampla. Há duas máquinas em livrarias do Reino Unido, e a previsão é que se espalhe por mais sessenta lojas.

A reportagem afirma – e eu concordo – que é provavelmente a maior revolução na mídia impressa desde a Bíblia de Gutenberg. Mais do que a simples praticidade de poder imprimir e encadernar títulos fora de catálogo, penso no que isso pode significar para o mercado editorial. Semana passada mesmo li no Blog da Traça Falante um relato das mazelas a que um jovem escritor tem que se submeter para ver sua obra publicada. Ora, com EBMs instaladas em birôs por aí parte do processo seria cortado.

Claro está que imprimir é apenas UMA das muitas e desagradáveis fases da publicação. Distribuir, estocar e realmente vender exemplares de livros são outras fases muito complicadas. Mas eu me pergunto se daqui a algum tempo a facilidade de acesso à mídia impressa não vai mudar as relações entre autor, editora e consumidor. Não é preciso muito para imaginar um autor estabelecendo um site, anunciando trechos de suas obras, imprimindo e vendendo diretamente ao leitor, mais ou menos como já acontece no mercado de música.

E além de tudo isso ficou a vontade de ter US$175 mil para botar uma EBM dessas lá em casa…!

13 Respostas to “A Incrível Máquina de Fazer Livros”

  1. Bia Says:

    É realmente espetacular!!! Deixar de ser refém das editoras é quase um sonho… vou começar a minha lista… hehehhe

  2. Tiago Quintana Says:

    Extremamente interessante, e concordo que é uma grande revolução; mas discordo que terá tanto impacto assim nas relações entre autores e editores. Quer dizer, salvo engano meu, o grande problema de se editar um livro sempre foi a propaganda e a distribuição, não a impressão em si, e essas coisas continuam dependendo muito de uma editora.

  3. Daniel Says:

    Justamente, e foi o que eu apontei no último parágrafo. Mas se as EBMs se tornarem mais comuns eu me pergunto se não vai haver um boom de “indie press”. Mais ou menos como o Dicró vendendo suas músicas no Largo da Carioca :-)

  4. Rafael Bezerra Says:

    No Senai Artes Gráficas, no Maracanã (Rio de Janeiro), tem um esquema de impressão de baixa tiragem, onde um autor pode mandar imprimir um livro de miolo preto, dentro de um formato pré-determinado e com uma quantidade mínima e máxima de páginas por um preço bem razoável.

    Outra coisa que sei que rola nos EUA, são os bureaus que fazem impressão por demanda vinculados a sites de venda de PDFs. Você compra o PDF, e por um preço maneiro, faz a sua impressão. Nunca fiz isso, obviamente, mas parece interessante.

  5. Daniel Says:

    Esses eu já conhecia, mas dado que a máquina pode imprimir coisas fora de catálogo, imagino que seja algo um tanto diferente dos birôs comuns. Talvez seja mais econômica, menor, mais rápida, ou uma combinação de tudo isso.

  6. Luiz Felipe Vasques Says:

    O print-on-demand já é manjado, a essa altura. Vai no blog da Ana Cristina que vc vai ver inclusive um rolo com uma editora que age assim.

    Pessoalmente, eu desconfio do resultado de um print-on-demand, baseado apenas no bolso do escritor. Acho que submeter-se a um editor sério, que chegue e diga às vezes simplesmente que “não está bom” vital para crescer.

  7. Daniel Says:

    Manjado, sim, mas esta versão tem alguma coisa de mais eficiente, ou não se faria essa gritaria toda ao redor dela.

    Sobre o processo editorial, você acertou na mosca – bons editores geralmente fazem a diferença. Mas onde estão eles? Por que há tantos livros simplesmente ruins nas prateleiras de bestsellers nacionais?

    Inutilia truncat ;-)

  8. Daniel Braga Says:

    Se o puro conhecimento determinasse a lucratividade os cientistas estariam podres de rico e não é esta a realidade.

    A qualidade de nossas prateleiras se deve a questão lucrativa. Você pode ser um mestre em algum assunto e se ver em segundo plano, em detrimento de alguma auto-ajuda fanstática ou de um novo livro de dietas quânticas.

  9. Luiz Felipe Vasques Says:

    “Se é pra vender Paulo Coelho, dieta e auto-ajuda, eu prefiro fechar a loja” – palavras do finado Aloysio, dono da Timbre. Livreiro de verdade, não o proverbial nego-atrás-do-balcão, que se limita a dizer “não consta no sistema, senhor”.

  10. Daniel Braga Says:

    Hastur, muito bonita a frase mas a realidade não é esta, gostemos ou não.

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