Semana FC 1: Battlestar Galactica!

(Republicado do Velho Telhado)

Duas entradas nesta semana, para compensar o hiato dos feriadões recentes. O assunto em pauta agora é Ficção Científica na TV. Em particular, o que mais houve de inovador nesse campo – Battlestar Galactica.

Alguns de vocês talvez se lembrem da série antiga do mesmo nome. Lançada em 1978 no esteio da popularidade do primeiro Guerra nas Estrelas, Galactica contava a história da quase extinção e fuga da Humanidade, sendo perseguida pelos cruéis robôs alienígenas Cylons. Como era comum na época, a série tinha todos os clichês daquilo que chamo de “fantasia científica”, ou seja: armas lasers, raça alienígena da semana, personagens algo estereotipados e uma atmosfera um bocado kitsch. De ciência, mesmo, nada. Galactica original durou apenas uma temporada, mas deixou uma legião de fãs apaixonados. Algumas tentativas foram feitas para ressucitar a série, que eventualmente retornaria em 1980 – mas desse retorno eu prefiro nem falar de tão ruim que foi :-)

Em 2003 outra tentativa foi feita, desta vez mudando completamente o conceito. Os Cylons agora não são mais alienígenas, mas andróides criados pelo Homem para cumprir tarefas comuns e para servirem como soldados. Dotados de consciência e capacidade de pensamento independente, os Cylons se rebelaram contra sua servidão, e travaram uma guerra terrível. O conflito terminou num empate técnico, com os Cylons se retirando para um sistema solar distante para viver em paz. Não se ouve falar neles por 40 anos, até que subitamente eles retornam com força total e aniquilam bilhões de pessoas nas Doze Colônias de Kobol. Apenas um punhado de naves civis e uma única nave militar – a epônima Battlestar Galactica – sobrevivem ao Holocausto imposto pelos Cylons.

A partir dessa premissa, BSG revoluciona a FC ao tratar não mais de soluções tecnológicas miraculosas ou outras convenções do gênero, mas de tratar primariamente dos dramas humanos numa situação tão extrema: se apenas 50 mil seres humanos restaram, e se são impiedosamente perseguidos para onde quer que vão, o que é certo? O que é errado? É possível ter uma democracia, ou é melhor partir para um regime militar? Que tipo de “civilização” é possível manter? Em certa altura, um dos personagens pondera: “Não basta apenas sobreviver. É preciso merecer sobreviver”.

Essa nova abordagem na FC televisiva foi imensamente bem recebida pela crítica e pelo público. Galactica terminou recentemente e veio para mostar que SIM, é possível fazer TV que entretenha e faça pensar. Mesmo que você não goste de FC, vale a pena conferir. As três primeiras temporadas (são quatro no total) já estão disponíveis em DVD. Confira!

A seguir, resenha do episódio-piloto de Caprica, spin-off de BSG!

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